segunda-feira, 14 de abril de 2008

NÃO HÁ DEMOCRACIA COISA NENHUMA!

O verdadeiro jornalismo (e o verdadeiro professor da disciplina)
mostra o que os poderosos querem esconder.
O resto é assessoria de imprensa, propaganda, manipulação,
entretenimento ou mero diletantismo filosófico.


Enquanto a quase totalidade de nossos educadores,
especialmente os que formam jornalistas,
for apenas engrenagem de transmissão dos interesses da classe dominante,
omitindo-se ou ensinando aos seus alunos
que este país é uma democracia e uma república,
este absurdo vai continuar!!!

Segue, abaixo, minha visão deste problema,
certamente digna de aprimoramentos.

Dialeticamente

Heitor Reis

NÃO HÁ DEMOCRACIA COISA NENHUMA!
"O Brasil Estado é oligárquico e autoritário" (Marilena Chauí, USP). É uma forma dissimulada dos acadêmicos dizerem que se trata de uma ditadura, civil, como sempre foi, pois era esta classe mais rica quem dava ordens aos generais, durante a ditadura militar. Em decorrência do processo de formação do Estado em geral e do brasileiro especificamente, a república é uma reparticular, a federação, uma farsa, e o Estado Democrático de Direito se faz passar por uma democracia de fato...

Não há democracia, em hipótese alguma: nem política, nem econômica, nem racial, nem de gênero, nem agrária e, muito menos ainda, nos meios de comunicação. Apenas uma teoria, uma possibilidade, algo somente de direito formal, ficcional e propaganda enganosa. Uma tentativa, muito bem-sucedida, de vender a possibilidade, a ilusão e a conveniência, como se fossem realidade, usando a técnica aprimorada durante o nazismo alemão por Joseph Goebbels.

Farsa pseudo-democrá tica

Vivemos em "Um Brasil de todos", onde o poder real está nas mãos de muito poucos e os presidentes da reparticular não passam de motoristas da elite, conforme João Pedro Stédile e Dom Mauro Morelli.

O valor do voto é insignificante quando comparado com o valor que os ricos investem na campanha eleitoral dos legítimos representantes deles, tanto no "caixa 1", quanto no "caixa 2", que "todo mundo usa", conforme disse, em Paris, o presidente Lula.

Assim, o TSE aprendeu bem a lição com Goebbels, divulgando sua engalobação pela televisão. Ao contrário do que diz a peça publicitária oficial, o eleitor é mera massa de manobra para legitimar a farsa pseudo-democrá tica. Plutocracia (governo dos ricos), conforme o notável jurista Osny Duarte Pereira, membro do Conselho de Segurança Nacional, quando em vida [ver aqui].

Assentimento e obediência

As agências controladoras, ao invés de serem autônomas, estão a serviço daqueles a quem deveriam fiscalizar, já que o cidadão comum, eleitor, consumidor, trabalhador e maior usuário dos serviços por elas prestados, especialmente negros e mulheres, não tem maioria em sua direção, dominada pelos grandes capitalistas do setor. O mesmo ocorre com o Conselho Nacional de Comunicação, ainda que meramente decorativo.

Repercutindo este cenário, os meios de comunicação são meras agências extra-oficiais dos interesses da minoria (1%) da população, que detém mais da metade da riqueza nacional, na ordem de 1 para 50. Poucas famílias dominam a mídia nacional, ainda mais concentrada, na ordem de 0,0001% da população abocanhando a quase totalidade das emissoras de televisão, rádio e dos jornais, numa concentração da ordem de 1 para 900.000.

"Recriando a realidade à sua maneira e de acordo com os seus interesses político-partidá rios, os órgãos de comunicação aprisionam os seus leitores [seu público, digo eu] nesse círculo de ferro da realidade irreal, e sobre ele, exercem todo o seu poder. O Jornal Nacional faz plim-plim e milhões de brasileiros salivam no ato. A Folha de S.Paulo, o Estado de S.Paulo, o Jornal do Brasil e a Veja dizem alguma coisa e centenas de milhares de brasileiros abanam o rabo em sinal de assentimento e obediência" (Perseu Abramo) [ver aqui].

Na contramão da ética

Segundo o jornalista Perseu Abramo (1929-1996) – que dá nome à fundação do Partido dos Trabalhadores –, através da manipulação da informação, sob várias formas ou padrões, a grande mídia controla o povo brasileiro. Ele afirma que esta é nossa inimiga nacional. Ainda assim, quando chegam ao poder, agem como se desconhecessem este dado, divulgado em um livreto de poucas páginas e letras grandes, ainda inacessível aos nossos 74 % de analfabetos e semi-analfabetos idiomáticos. É, também negligenciado pela quase totalidade da população (alfabetizada ou não), politicamente analfabeta e imbecil, como registrou magistralmente Bertolt Brecht:

"Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

O Estado cleptocrático

"O Estado não pode proibir o que o povo aprova" (Armando Coelho Neto, presidente da Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, autor do livro Rádio Comunitária não é Crime, no Seminário "Rádio Comunitária e o Poder Público", na Câmara Federal, em 2003).

Há também emissoras, tanto comunitárias, quanto comerciais, com outorga oficial do Estado, servindo a interesses escusos, sem cumprir sua função social, exigida para qualquer concessão pública. Isto é, há rádios comunitárias e comerciais autorizadas pelo Estado que são piratas de fato, caso adotemos esta terminologia do oligopólio. há rádios comunitárias sem autorização ("piratas", para eles) que são rádios comunitárias de fato, mas não de direto, cumprindo uma missão social, objetivo este desprezado pelas demais.

"Sem democratizar a comunicação, não haverá democracia no Brasil" (Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas) .

As concessões são moeda de troca, para comprar voto de políticos mercenários ("300 picaretas na Câmara Federal", conforme Lula), à venda no balcão de negócios existente nos Três Poderes e nos três níveis do Estado cleptocrático em que vivemos, conforme pesquisa divulgada pela Fenaj, na Proposta dos Jornalistas à Sociedade Civil [ver aqui].

DEMOCRACIA COMO DIREITO HUMANO

Comparação entre Conceitos


ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Formal, teórico, ilusório, elitista, excludente

ESTADO DEMOCRÁTICO DE FATO

Material, prático, real, igualitário, inclusivo

GERAL
A classe trabalhadora tem direito a uma vida digna, salário justo, trabalho, moradia, segurança, educação e saúde pública de qualidade, etc. Mas somente a classe capitalista e a classe média que administra seus interesses, desfrutam destas condições. Uma disputa desigual entre os Direitos Humanos e os direitos do capital.

GERAL
Todos são iguais perante a lei e à sociedade, na prática. Todos usufruem igualmente dos direitos aos quais, hoje, somente os mais ricos têm acesso. "Não queremos o direito à moradia! Queremos a moradia!!! É o que dizem meus camaradas do MNLM – Movimento Nacional de Luta pela Moradia!

1. Apesar da bela teoria pregar o contrário, na prática, o lucro do capital é mais importante que a vida das pessoas e a natureza.

1. A vida e a natureza são mais importantes que o lucro do capital.

2. Quem governa são os capitalistas, financiadores de campanhas políticas de seus legítimos representantes. Os trabalhadores( as) também têm direito de financiar seus candidatos, mas são impedidos pelo simples fato de serem pobres. A relação capital e trabalho privilegia o capital, que se apropria de parte do valor do trabalho produzido pelo operariado.

2. Quem governa é o povo, cuja maioria é composta de trabalhadores. Pode ser através de seus legítimos representantes ou diretamente. Não há financiamento particular de campanha, nem privilégios no financiamento estatal, destinando o mesmo valor para todos os candidatos e partidos. O salário-mínimo constitucional é respeitado, sendo, de acordo cm o DIEESE, R$ 1.500,00.

3. Os mais ricos, através de atravessadores e aliciadores de funcionários públicos dos Três Poderes em todos os níveis do Estado, asseguram que seus interesses sejam preservados em detrimento da classe trabalhadora, assegurando vultuosos lucros para os empresários em geral e aos banqueiros, de uma forma especifica.

3. Todos são realmente iguais perante a lei, havendo uma justa e igualitária distribuição da riqueza produzida, sem privilégios na cobrança ou no destino dado dos impostos arrecadados e não há manipulação do "livre" mercado por parte do Estado.

4. O povo é massa de manobra para votar na propaganda enganosa financiada pelos ricos, legitimando o processo eleitoral "livre e democrático".

4. São dadas ao povo as condições necessárias para uma escolha consciente, livre e democrática.

5. O processo eleitoral não é auditável (mesmo em urnas eletrônicas). O TSE mente, quando afirma que o processo é seguro! (www.votoseguro. org)

5. O processo eleitoral é auditável (mesmo em urnas eletrônicas).

6. Os meios de comunicação são controlados por uma minoria, mantendo cativas as mentes analfabetas e semianalfabetas da grande maioria da população (74 %).

6. Todos estão no controle dos meios de comunicação, fazendo com que sejam realmente públicos.

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