domingo, 4 de maio de 2008

A tentativa de golpe na Bolívia

Vejam notícias a respeito:
1. Diz Fidel Castro: 'É o momento da denúncia e da verdade ... A ordem do imperialismo é castigar e desfazer-se de Evo' ... e, principalmente, 'Para os povos e governos da América Latina será uma prova de fogo.'
2. Danielle Mitterrand exige que o governo da França aja firmemente e com rapidez em defesa do governo constitucional de Evo Morales.
3. Por fim, um relato de um planejado golpe de Estado que, por ora, Evo Morales conseguiu abortar.
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1 - Uma prova de fogo
Enquanto nosso povo, neste 1º de maio, Dia dos Trabalhadores, desfruta com júbilo do ano em que se cumprirá meio século do triunfo da Revolução e o 70º aniversário da criação da Confederação dos Trabalhadores de Cuba (CTC) à República irmã da Bolívia, dedicada a preservar a saúde, educar e garantir a segurança de seu povo, lhe faltam dias, ou talvez horas, para passar a sofrer acontecimentos dramáticos.
Quando de todas as partes do mundo chegam noticias de dar calafrios sobre a escassez e o custo dos alimentos, preço da energia, mudanças climáticas e inflação, problemas que pela primeira vez se apresentam em uníssono como questões vitais, o imperialismo se empenha em desintegrar a Bolívia e submetê-la a trabalho alienante e à fome.
Nesse país, com os oligarcas de Santa Cruz à frente, quatro de seus departamentos, os mais fortes economicamente, aspiram declarar-se independentes e projetaram, com o apoio do império, seu programa de consultas populares, cabendo aos meios de comunicação de massa preparar o terreno e a opinião dos votantes com todo o tipo de ilusões e falácias.
As Forças Armadas, em virtude de suas funções históricas num país agredido e despojado do mar e outros recursos vitais, não desejam a desintegração da Bolívia; porém, o plano ianque, perfidamente concebido, é valer-se de alguns setores militares antipatriotas para livrar-se de Evo em benefício da unidade, algo que, ao se apropriarem as transnacionais dos setores produtivos básicos, seria mera formalidade. A ordem do imperialismo é castigar e desfazer-se de Evo.
É o momento da denúncia e da verdade.
Por não terem previsto e meditado sobre os fatores que conduziam a uma profunda crise internacional, ¡salve-se quem puder! parece ser o grito que se escuta em muitas partes do mundo.
Para os povos e governos da América Latina será una prova de fogo. Para nossos médicos e educadores, qualquer coisa que ocorra no país em que desempenham seu nobre e pacífico trabalho, também o será. Eles, diante de situações de perigo, não abandonarão seus pacientes e alunos.
Fidel Castro Ruz
30 de abril de 2008
2 - Danielle Mitterrand reclama apoio a Bolívia contra as tentativas golpistas Paris,
30 de abril.—
Danielle Mitterrand, viúva do ex-presidente francês François Mitterrand, pediu nesta quarta-feira, 30, o apoio de seu país "ao povo boliviano e seu presidente contra las tentativas golpistas", em uma carta pública dirigida ao chanceler Bernard Kouchner, reportou a Agência France Press.
"Peço a ti, que representas a França dos direitos humanos e da liberdade em todo o mundo, que manifestes energicamente o apoio da França ao povo boliviano e a seu legítimo representante contra as tentativas golpistas", expressa em sua missiva Danielle Mitterrand, presidenta da ONG France-Liberté s.
Na Bolívia, a oposição de direita de Santa Cruz, Beni (nordeste), Pando (norte) e Tarija (sul), trata de criar governos autônomos, contrapostos à nova Constituição, que referenda os direitos das maiorias indígenas e propõe limitar os grandes latifúndios.
" Em Santa Cruz existem bandos fascistas que fazem reinar o medo entre os habitantes indígenas e falam de 'depuração étnica' num país onde 63% da população é indígena", se indigna Danielle Mitterrand, que foi resistente frente a ocupação nazista de seu país durante a Segunda Guerra Mundial.
"Tudo isto se faz com o apoio confirmado publicamente dos representantes do governo dos Estados Unidos", ressalta.
Enfrenta o Comandante Geral do Exército, porém a conjuntura política golpista segue latente

3 - Evo Morales evita golpe militar do Primeiro de Maio naen Bolívia
Por: Heinz Dieterich
Data de publicação: 02/05/08

1º de maio de 2008 (Especial).- O governo da Bolívia acaba de abortar um golpe militar que ameaçava a democracia desse país preparado, sob os auspícios do governo dos Estados Unidos, por movimentos separatistas e líderes políticos opostos às mudanças implementadas pelo presidente Evo Morales.
Na segunda-feira passada, 28 de abril, o Comandante Geral do Exército boliviano, General Freddy Mackay Peralta, no afã de suas atividades profissionais, realizou uma reunião em Santa Cruz de la Sierra com os comandantes de unidades militares de toda a Bolívia. Na terça-feira, 29 de abril, às 07h00 da manha~, o alto oficial se transformou em ente espiritual: convocou uma missa no Clube de Oficiais do Exército, em La Paz.

Mais de cem pessoas ligadas ao mundo da política e aos negócios acudiram ao solene encontro clerical. Entre eles, Oscar Ortiz, senador por Santa Cruz, presidente do Senado, "chanceler" da oligarquia separatista e militante de Podemos; partido que é dirigido pelo ex-presidente Jorge 'Tuto' Quiroga que patrocina os referendos separatistas das quatro províncias (Departamentos) periféricas de Bolivia, que se encontram em processo de sedição oligárquica contra o governo de Evo Morales, por encargo de Washington, Aznar e por interesses próprios.

A justificação do golpe e as verdadeiras razões

Ambos os atos não foram mais do que prelúdios para instrumentar um golpe militar, encabeçado pelo general, já em franca insubordinação contra el Comandante em Chefe das Forças Armadas, General (aviador) Luis Trigo, e um grupo de coronéis da reserva. A data programada para o golpe era o dia primeiro de maio e a apologia para justificar o derrocamento do presidente seria a necessidade "de impedir os referendos da 'Meia Lua', porque o presidente não tem coragem de impedi-los". Evo "nada faz para impedir a divisão do país".

As verdadeiras razões do motim encontram-se na imposibilidade constitucional, política e diplomática para viabilizar os Estatutos Autonômicos e, é lógico, para tirar Evo do poder e fazer o país regressar ao projeto de país das oligarquias. Diante de anúncios importantes de Evo, programados para o Primeiro de Maio, que aprofundariam o processo de transformações e a recuperação dos recursos para o Estado boliviano, o general, que é marionete de Washington, aliado da 'Media Luna' e vínculado às 'loggias' crucenhas e seus patrocinadores, haviam decidido acabar con "o índio camponês" no Palácio Quemado.

Evo enfrenta o conspirador

Face ao iminente perigo, o presidente Morales decidiu enfrentar o conspirador. Na quarta-feira, 30 de abril, convocou os Altos Comandos militares em La Paz para uma reunião de emergência e expôs-lhes os planos dos golpistas. Todos os oficiais presentes, inclusive o Comandante do Exército, negaram que estivessem envolvidos no planejado 'coup d´etat' e juraram fidelidade ao presidente.
Ficou conjurado o motim, por ora.

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