Em Minas, os impactos sociais da Vale
Transnacional causa danos até em bairros da capital Belo Horizonte
11/06/2008
Eduardo Sales de Lima
da Redação
Minas Gerais é um exemplo concreto da insustentabilidade das atividades da Vale. No bairro de São Geraldo, em Belo Horizonte, cerca de 500 pessoas bloquearam pacificamente a linha férrea da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), pertencente à transnacional, entre as 7 e as 12 horas do dia 10, para denunciar os problemas causados pela passagem do trem. Um dos principais é o bloqueio de passagem de veÃculos e pessoas por até duas horas, várias vezes ao dia. Desde 2007, quatro pessoas morreram dentro de ambulâncias por causa do trancamento.
Integrantes da Assembléia Popular dos bairros de São Geraldo, Caetano Furquim, Boa Vista, Casa Branca e Vila Mariana de Abreu pedem, há 25 anos, a transposição da linha e a indenização das famÃlias que tiveram parentes mutilados ou mortos.
Uma comissão formada pela Assembléia Popular local e comunidades atingidas apresentou como pauta a exigência da transposição dos trilhos. Os representantes da FCA e da Vale garantiram o inÃcio das obras no prazo de 40 dias. Até essa data, será desenvolvido um projeto de transposição que inclui uso social para a área hoje ocupada pela linha. “No final eles podem recuar, mas as lideranças ficaram satisfeitasâ€, afirma Kelli Maria da Fonseca, integrante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e da Assembléia Popular de Minas Gerais.
Táticas da Vale
Segundo Franco Santana, também da Assembléia Popular mineira, apesar da vitória parcial, os representantes da FCA têm levado as negociações com a “barrigaâ€, além de utilizarem táticas para desarticular a organização das comunidades prejudicadas pela linha férrea. “Há cinco anos foi aberto um diálogo com a empresa; porém, nesse perÃodo, eles cooptaram e dividiram lideranças das comunidades através de ações judiciaisâ€, conta. De acordo com ele, cerca de 20 lideranças sofreram ação de interdito proibitório, que impede a aproximação dos trilhos em uma distância menor que 100 metros.
Uma das lideranças que sofreu esse tipo de ação foi o lÃder comunitário Vagner dos Santos “Budaâ€, integrante da Liga Comunitária do bairro de São Geraldo. Sem querer entrar nesse debate, ele destaca uma forma mais sutil do que ações judiciais que visam esfacelar as organizações populares: brindes. Moradores e crianças de escolas da região por onde passa a linha férrea recebem réguas, canetas, bonecos, todos com o logotipo da FCA/Vale. “A gente tenta fazer uma manifestação que desenvolva a consciência das pessoas, mas, por meio da FCA, a Vale dá esses objetos para ludibriar os moradores e as crianças, que acabam gostandoâ€, relata.
Tais “presentes†não escondem, porém, que o trem também inviabiliza as aulas da Escola Municipal Pe. Francisco Carvalho Moreira por causa de seu barulho e abala a estrutura das casas. “A escola chega a parar suas atividades em uma horaâ€, conta Franco Santana.
Dos trilhos, a partir do bairro de São Geraldo, os manifestantes foram para a Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais e finalizaram a atividade em frente à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Segundo a Assembléia Popular, a Vale, por ser uma empresa que exporta a maior parte das riquezas extraÃdas do Brasil, prejudica o meio ambiente e as comunidades onde atua, representando um sÃmbolo que induz à luta dos trabalhadores.
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