segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mídia Livre e a Revolução Conceitual

Heitor Reis (*)
Bendita Ivana Bentes! Assim, saudei eu a primeira pessoa que ouvi defendendo um discurso como o meu, de que precisamos de revisar nossos conceitos, ao invés de criarmos apenas palavras de efeito ou repetir tudo o que já foi dito. E, com base neles, reorganizar sindicatos, universidades, tudo.
Extasiado por ter alguém da envergadura desta diretora da Escola da Comunicação da UFRJ na mesma trincheira, solicitei ao público presente ao I Fórum de Mídia Livre que pesquisasse na rede mundial de computadores alguns textos onde defendo esta tese, já que o tempo de que dispunhamos naquela desconferência não permitiria maior aprofundamento:
Rádios "piratas": o que a Band esconde? [ http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=472IPB001 ]
Lembrei que o Prof. Falconi da Escola de Engenharia da UFMG, defende em seu livro Qualidade Total ser necessário o rompimento com o conhecimento anterior para assimilar o novo. Citei também A Arte de Desaprender, do filósofo Luis Carlos Lisboa, cujo nome me faltou na ocasião. Defendi que somente teremos uma mídia livre, quando nossas mentes também estiverem livres para questionar o conhecimento recebido até agora.
Insisti que nossos conceitos atuais nos trouxeram até aqui. E, se não estamos satisfeitos com a sociedade que construímos, especialmente a sociedade da informação, teremos de produzir novos conceitos, para gerar uma outra realidade. Como diziam os gregos antigos, mente sã, corpo são. Se nossa civilização está doente e ela é fruto de nossos conceitos, neles está a origem desta enfermidade.
Lamentei que nossas universidades produzam profissionais que acreditam pela fé dogmática, por exemplo, no fato de termos um sistema democrático, desconhecendo eles completamente o que seja uma plutocracia, cleptocracia, corporocracia ou ditadura do poder econômico. Aprofundo mais neste assunto, enfocando o ensino médio, em texto que pode ser aplicado também para cursos superiores: Dissonância intelectiva dos mestres [ http://www.abn.com.br/artheitor36dissonancia.htm ]
Enquanto nosso sistema de ensino tiver como objetivo mais elevado produzir mão-de-obra para a engrenagem capitalista e não seres capazes de pensar por si mesmos, questionando aquilo que lhes é ensinado, estaremos fadados a viver e morrer num mundo onde tudo é mercadoria, inclusive nós mesmos.
Assim, para não reproduzir um sistema que condenamos, a única alternativa para pais responsáveis e conscientes é não mandar mais seus filhos para uma escola deste tipo, voltando aos velhos tempos em que eram educados em casa e os valores familiares mais fortes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensino_dom%C3%A9stico
Preocupado com a objetividade e determinação dada aos temas mais concretos, insisti, numa segunda oportunidade, que este I Fórum de Mídia Livre deveria operacionalizar de alguma forma esta revisão de conceitos, mesmo reconhecendo a dificuldade para realizar tal tarefa, mas, por outro lado, sem ela, estaremos apenas dando uma nata de tinta sobre a causa real de nossos maiores problemas, que permanecerá inalterada.
(*) Heitor Reis é engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da comunicação e membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida (www.cmqv.org). Nenhum direito autoral reservado: Esquerdos autorais ("Copyleft"). Contatos: (31) 3243 6286 - heitorreis@gmail.com

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