quarta-feira, 2 de julho de 2008

Com autorização da Semar carvoaria instala 570 fornos na Serra Vermelha

Tânia Martins
Ecojornalista do Piauí
(taniamartinsj@ hotmail.com)

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente-Semar autorizou o funcionamento de uma
carvoaria com 570 fornos dentro da área onde está previsto a implantação do Parque
Nacional Serra Vermelha, nos municípios de Curimatá e Morro Cabeça no Tempo, no
Sul do Estado. O curioso é que a carvoaria, pertencente ao baiano Edson Rocha, está
usando toda a estrutura do projeto energia Verde da empresa JB Carbon, da qual é
vizinha e que foi proibida de funcionar porque vinha destruída uma rica
biodiversidade.

A denúncia foi feita por estudantes e professores do Ensino Médio de Curimatá que
vieram apresentar trabalho na Feira Estadual da Educação Básica, promovida pela
Secretaria Estadual da Educação. Estudantes e professores montaram uma maquete
da Serra Vermelha mostrando os impactos ambientais causados pela destruição da
vegetação da região.

Segundo o grupo o local onde a Carvoaria Rocha está explorando chama-se Serra
Negra e começou a funcionar há cerca de três meses e é proprietária de 200 mil
hectares que pretende transformar em carvão vegetal. "Estima-se que diariamente
saiam da floresta cerca de 20 ou mais carretas repletas de carvão do mesmo depósito
da JB Carbon", informou o professor Rodolfo Rodrigues. Ele disse que o
desmatamento vem sendo feito utilizando correntões que consiste na derrubada das
árvores pela raiz. "Quando a gente imagina derrubar árvores centenárias da Caatinga,
Cerrado e Mata Atlântica para fazer carvão, revolta".

O ONG SOS Caatinga, constituída em Curimatá após a tentativa de destruir a Serra
Vermelha começa uma mobilização para tentar barrar a destruição da Serra Negra. A
entidade protocolou denúncia no Ministério Público Estadual e Federal. A Fundação
Rio Parnaíba-Furpa, também está denunciando o crime. De acordo com o presidente
da entidade, Francisco Soares, será encaminhado pedido de suspensão da atividade
para o Ibama nacional, Ministério do Meio Ambiente e Justiça. "A lei é clara,
qualquer empreendimento acima de 100 hectares não pode ser destruindo para virar
carvão", afirma e lembra que a área é de domínio da Mata Atlântica, também
protegida por lei.

Ainda em Curimatá mais de 300 fornos estão funcionando 24h produzindo carvão
vegetal a partir da mata virgem. O mesmo vem acontecendo em Morro Cabeça no
Tempo, Júlio Borges e Redenção do Gurguéia. Segundo dados do Ministério Público
hoje estão em pleno funcionamento no Sul do Estado 2.200 fornos autorizados e mais
algumas centenas clandestinos.

Se já não bastasse o desmatamento os encarregados pelas carvoarias promovem
trabalho escravo e são responsáveis por colocar em risco a saúde de dezenas de
trabalhadores que geralmente são oriundos de outras regiões. Segundo Raquel
Fernandes, ambientalista de Curimatá, as pessoas são ludibriadas pelos "gatos" e
depois são obrigadas a trabalhar quase 24h, se alimentarem mal e não conseguem
mais se libertarem da escravidão. "Aqui a população está revoltada com toda a
desgraça promovida pelas carvoarias", comentou.

Carvoarias se multiplicam

Ainda na feira de Ciência realizada no Centro de Convenções, um grupo de Canto do
Buriti, a 400 quilômetros de Teresina, denunciava a produção de carvão na local
conhecido por Fazenda Jobex. Segundo o professor Ronildo Pereira, é triste de ver a
quantidade de carvão que sai diariamente da fazenda. "Ninguém agüenta ver tamanho
crime e ficar calado. Na nossa cidade não existe quem apoio essas empresas que
chegam e vão destruindo nossas florestas", disse enquanto exibia vídeo mostrando os
caminhões saindo carregados de carvão.

REAPI Reage

Os ambientalistas que congregam a Rede Ambiental do Piauí-REAPI, estão
elaborando um documento que será encaminhado ao governador Wellington Dias,
solicitando o fim das licenças ambientais para produção de carvão vegetal no Estado.
Segundo os coordenadores da rede, o governador havia dito que a produção de carvão
seria suspensa, no entanto, fonte da própria Secretaria Estadual de Meio Ambiente
informou que depois do anúncio do governador foram autorizadas oito carvoarias. Os
ambientalistas também vão pedir ajuda as ONGs do país e do exterior bem ao
Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

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