quarta-feira, 23 de julho de 2008

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TV Digital: Ginga, ou não Ginga?

21/07/2008 |
Cristina de Luca
Convergência Digital

Semana passada, quando a Proview apresentou formalmente seustrês modelos de ste-top boxes de baixo custo, uma discussão voltou a movimentar o mercado brasileirode Tv Digital. Afinal, o que está faltando para o Ginga vingar como padrão de fato no Brasil? Quem ganha e quem perde com a adoção do Ginga?

Vamos por partes.

O Ginga faz, sim, parte das normas técnicas da ABNT para interatividade no Sistema Brasileiro de TV Digital. Acontece que as primeiras aplicações interativas testadas nas primeiras implementações Ginga em set-top boxes nacionais andaram travando. A boa notícia é que várias redes des TVs toparam iniciar projetos piloto de interatividade com aplicações Ginga-NCL. E o feed back é o de que elas estão rodando sem problemas em pelo menos dois novos modelos de set-top boxes. Um deles, da Visiontec.

Outro problema do Ginga diz respeito à propriedade intelectual da parte baseada em Java , que tem atrasado a entrada da interatividade e do middleware Ginga-J. Segundo o professor LuizFernando Soares, do Telemídia, da Puc do Rio de Janeiro, as conversars com a Sun Microsystems estão caminhando. E, como alternativa, as conversações com o DVB também estão em curso.

O que esperar para os próximos meses? Em função dos primeiros testes bem sucedidos das emissoras como aplicações interativas usando o Ginga-NCL, cresce a pressão para liberação imediata de venda de terminais fixos com o Ginga-NCL, enquanto não se define a questão do Java. Já existe muito envolvimento de empresas em aplicações NCL e não está dando mais para esperar, principalmente porque grande parte das aplicações serão em NCLe Lua. E O Ginga-NCL é totalmente livre de licensas e royalties.

É necessário um middleware para o funcionamento da TV Digital?

Se interatividade for realmente um dos pilares para o SBTV, sim, por facilitar a interoperabilidade das aplicações com os diferentes modelos de set-top boxes, uma vez que as aplicações são escritas para o middleware, para ficarem independentes dos sistemas operacionais usados nos set-top boxes.

E, nesse ponto, o Ginga oferece alguns recursos que o diferenciam dos demais middlewares em uso no mundo. Entre elas, a adaptabilidade do conteúdo ao modelo de set-top box em uso na casa do telespectador. Possíbilitará, por exemplo, apresentar o serviço de trânsito de acordo com o CEP informado pelo dono do set-top box na primeira vez que usar o aparelho.Um vez cadastrado o CEP, essa informação pode ficar armazenada do ste-top box para facilitar a apresentação da informação mais útil para o ususário daquele aparelho.

O que faltou dizer sobre os conversores da Proview?
Logo após a apresentação oficial dos três modelos de conversores de baixo custo da Proview, na semana passada, algumas dúvidas começaram a surgir. Afinal de contas, qual é o middleware dos modelos top e intermediário e sobre qual sistema operacional ele roda? Qual é o navegador internet e o que pode ou não pode fazer?
Porquê a empresa afirma que o middleware será atualizado para o Ginga assim que o padrão for liberado pelo governo brasileiro? Quer dizer 'assim que os problemas de royalties para a parte Java forem resolvidos?

Em um papo rápido por telefone, Gionanni Nóbrega, diretor de novos produtos da Proview, respondeu a todas essas questões. Segundo ele, o sistema operacional é uma distro Linux. Sobre ela, roda um middleware desenvolvido pela própria empresa, em conjunto com universidades de Campinas, que usa o Ginga-NCL no ambiente declarativo e um modelo próprio baseado em java no modelo procedural, que será atualizado pelo Ginga-J assim que ele for liberado pelo governo.

O mini-browser, também desenvolvido pela empresa e parceiros, roda sobre a distro Linux e não roda vários plug-ins em amplo uso na Internet. 'Temos interesse em embarcar um browser melhorado, e estamos trabalhando nesse licenciamento', comenta Nóbrega. Hoje, o browser é a única diferença entre o modelo top e o intermediário.

Os dois são equivalentes nos recursos de hardware, incluindo o suporte a teclados sem fio USB e até a possibilidade de acesso remoto na tela da TV ao conteúdo do seu micro (padrão VNC). Basta que um vncserver sejainstalado no computador a ser acessado, via rede local (set-top box intermediário) ou internet (set-top box top de linha).

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