Tese de doutorado em comunicação na Universidade de Quebec-Canadá:
Debate público gerado pelas peças publicitárias brasileiras alvo de denúncias de discriminação racial
TEXTO EM FRANCÊS DISPONÍVEL EM
http://prod.midiaindependente.org/pt/red/2008/09/428930.shtml
RESUMO
Neste trabalho, examino o debate público gerado pelas peças publicitárias brasileiras que foram alvo de denúncias de discriminação racial. Por meio do exame de um corpus composto por 31 denúncias encaminhadas entre 1979 e 2005 ao Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (CONAR), no Brasil, a análise empírica desvenda duas tendências principais: 1) no tocante à publicidade brasileira, a denúncia de conteúdos discriminatórios do ponto de vista racial cresceu cerca de 64% nos últimos cinco anos do período em questão, indicando assim a emergência de uma nova forma de consciência racial; 2) no sentido diametralmente oposto, percebe-se igualmente uma forte reação conservadora da parte dos setores corporativos ligados à publicidade: somente 30% das peças cujas denúncias foram examinadas pelos comitês de ética do CONAR foram consideradas culpadas por discriminação racial. No entanto, o reconhecimento da própria existência de um tratamento discriminatório atribuído a certas camadas da população brasileira depende de uma série de fatores, dentre os quais destacam-se os quadros interpretativos que agem diretamente na percepção e formulação do problema da discriminação racial.
Diante desse quadro mais amplo, esta pesquisa propõe-se a trazer à luz a evoluação do debate racial no Brasil durante esses 26 anos, colocando em evidência a emergência de uma consciência racial por meio da recepção crítica das mensagens publicitárias. A formação de uma consciência racial negra, a qual possui múltiplas conseqüências para a auto-definição racial, é analisada na interseção de três processos históricos diferentes: a formação de um sistema mediático altamente centralizado, a história das representações raciais na publicidade brasileira e a trajetória do CONAR à partir da implantação do sistema de auto-regulamentação publicitária no Brasil. A imbricação desses três processos reflete, em última instância, o próprio processo de redemocratização que vem tomando força no Brasil desde o final da década de 1970.
Palavras-chave : discriminação racial; raça; debate público; espaço público; publicidade; auto-regulamentação publicitária.
Nenhum comentário:
Postar um comentário