terça-feira, 30 de setembro de 2008

Só a Luta muda a vida do povo trabalhador

Só a Luta muda a vida do povo trabalhador

Assembléia Popular Metropolitana de Belo Horizonte

Estamos às vésperas de mais uma eleição em nossa cidade. A exposição dos candidatos, os debates, as propagandas eleitorais e toda energia direcionada para a vitória no pleito apenas demonstram que as eleições viraram um verdadeiro circo empresarial de marketeiros. Entretanto, essa transformação do caráter das eleições, principalmente na atual conjuntura brasileira, não nos dá o direito de fingir que ela não existe ou de abrir mão do debate. Por isso a Assembléia Popular Metropolitana de Belo Horizonte propõe a seguinte reflexão crítica para as companheiras e companheiros intervirem qualificadamente na conjuntura eleitoral.

A América Latina tem sido prova contundente de que o processo eleitoral pode ser uma importante ferramenta para o acúmulo de forças políticas. Por outro lado, países como Venezuela e Bolívia, por exemplo, demonstram que os processos eleitorais que levam candidatos de esquerda a assumirem o governo devem ser acompanhados de força popular massiva. Caso contrário, as tradicionais forças conservadoras de direita criam obstáculos a qualquer mudança contrária aos seus interesses. O mesmo ocorre em menor escala, no âmbito municipal, ou seja, um Prefeito ou Vereador, por mais comprometido que seja com as causas populares, não será capaz de levar adiante qualquer processo de mudanças em benefício das maiorias se não for fortemente sustentado pela participação ativa e consciente das maiorias.

Nesse sentido, as eleições devem girar em torno de grandes projetos, construídos democraticamente, e não em torno de nomes, discursos comportados e boa aparência maquiada por marqueteiros bem remunerados. Porém, o que se nota nestas eleições é um verdadeiro show televisivo acompanhado de meia dúzia de boas propostas para curto prazo. Mesmo os candidatos que se auto-declaram de esquerda caem no erro de apresentar apenas projetos de gestão para a cidade, no campo do imediatismo e sem garantia da participação popular. Não existe efetivamente um projeto de cidade, capaz de transformar a própria forma como a cidade se produz e reproduz, construído com participação ampla da população, sobretudo dos(as) trabalhadores( as) marginalizados( as) do espaço urbano.

Os problemas da nossa sociedade são de ordem estrutural e não podem ser superados por nenhum candidato com propostas imediatistas de boas intenções sem a participação direta do povo. É preciso construir estruturas concretas de poder popular, capazes de fazer oposição ao poder das elites e orientar os rumos da política. Aliás, esse é o grande objetivo da Assembléia Popular: tornar-se um espaço permanente de exercício do poder popular, onde homens e mulheres se organizam coletivamente para resistir contra a opressão e avançar rumo a uma sociedade mais justa e igualitária, na construção de um Projeto Popular para Belo Horizonte e para o Brasil.

Além do mais, estamos fartos de tantas promessas, mentiras e escândalos de corrupção. Os candidatos vendem ilusões no atacado, criando uma falsa esperança naqueles que ainda não vêem outra perspectiva de mudança fora das eleições. Nesse ponto encontramos um dos papeis que a Assembléia Popular deve necessariamente cumprir. Recriar as esperanças e a auto-estima do povo a partir de conquistas concretas da vida cotidiana, buscando elevar o nível de consciência das pessoas e a capacidade de articulação das forças de esquerda efetivamente comprometidas com a transformação social que conquiste a redução da taxa de luz/energia, a soberania alimentar combatendo a fome, a liberdade de expressão popular contrária a atual criminalização capitaneada pelo Estado/Polícia da pobreza e dos movimentos sociais, etc. Assim, estamos mais do que convencidos de que as verdadeiras necessidades da população não cabem nas urnas. Assim, propomos algo que é muito mais sério e que não pode se reduzir a simples escolha de representantes, pois o que queremos é a transformação real, e isso só será possível com organização e luta popular.

Obviamente, a posição assumida pela Assembléia Popular Metropolitana de Belo Horizonte não fecha os canais de diálogo com qualquer candidato honesto e comprometido. Todavia, queremos discutir projetos, medidas estruturais para a melhoria das condições de vida da população, e não apoio de gabinete, acordos meramente eleitorais ou alianças espúrias como a que foi firmada para a sucessão da Prefeitura de Belo Horizonte entre o atual prefeito e o governador, que representam um projeto nacional das forças-partidá rias conservadoras de rebaixamento ideológico das eleições municipais contrário aos interesses de mudanças profundas necessárias para a maioria do povo pobre brasileiro. Em resumo, para além da pequena política eleitoral, mas sem ignorar sua existência e sua forte influência na atual conjuntura, propomos uma política feita desde baixo, por todos e todas que sentem diariamente as dores de se viver numa realidade de injustiça, domínio do capital, miséria e segregação. Nosso horizonte é muito mais amplo e não pode se esgotar na escolha de nomes.

Nesse sentido, fazemos uma convocação a todos e todas que são comprometidos com as causas do povo para nos unirmos em torno da Assembléia Popular, com força para transformar desde agora as condições que nos cercam e as relações que nos tocam, abrindo caminho para construção de uma nova cidade e de uma nova sociedade.

Pátria Livre! Venceremos!

Assembléia Popular Metropolitana de Belo Horizonte

34128743 – secretariaapmg@ yahoo.com. br

Setembro de 2008

Nenhum comentário: