Em entrevista publicada no último domingo (12.10.08), Aécio Neves bate na mesma tecla de sempre: quer a despartidarização da política, ou seja a unidade do PSDB dele – que não é o do José Serra – com o PT do Pimentel, que não é o dos ministros de Lula, Patrus e Luis Dulci. Ele diz que a diferença que separa os partidos é “maniqueísmo”. Ele se esquece do outro lado: o que diz que a falta desta diferença é fascismo… Mussolini, de fato, nunca admitiu outro partido que não o PNF ou Partido Nacional Fascista…
Aécio Neves quer banir a política do cenário. Ele fala a linguagem do técnico, do Anastasia, da despolitização. Diz que o projeto “que nasce em Minas pode ajudar o Brasil a sair do maniqueísmo que coloca o PT e o PSDB cada um numa ponta do espectro político”. É muita ingenuidade ou pura bobagem falar contra a diferença, no momento em que a cultura mais crítica e cosmopolita debate e critica a política do jacobinismo que queria se impor a todos a partir de uma unidade indiferenciada. A cultura política mais moderna fala, hoje, universalmente, de “unidade na diversidade”. Isto do Concílio Vaticano II de João XXIII (l961-66) ao Eurocomunismo de Palmiro Togliatti e Enrico Berlinguer (l973-78) contra, respectivamente, o monolitismo de Pio XII e de Joseph Stalin.
Ele diz que a derrota do seu candidato, Márcio Lacerda, no 2º. turno das eleições de BH é a derrota de um projeto político. Esse projeto é a menina dos seus olhos: o do partido único, o da eliminação das diferenças e extinção da política! Ele já elegeu como seu vice-governador um homem sem currículo político algum: Antonio Anastasia. Quis lançar um balão de ensaio. E Anastasia o ajudou mesmo a fabricar uma série de fórmulas – “choque de gestão”, “déficit zero”, o controle da imprensa mineira, quintais de propaganda mais propaganda, no atacado e no varejo, etc. – que, juntamente com o apoio de Lula, lhe permitiram conquistar o governo com boa margem de consenso. Como sua fórmula mágica, “Minas trabalhando em silêncio” na mídia e na política, parecia ter dado certo, ele considerou que o balão de ensaio deu certo e se preparou, assim, para lançar outro “poste”, Márcio Lacerda.
Faltou-lhe, como se vê, o que os franceses chamam de sens de la mesure, o sentido da medida. Ele e Pimentel não tiveram a sensibilidade ou sentido crítico suficiente para controlar a dose que deram ao paciente, ou seja, ao processo eleitoral. Lançaram o Márcio Lacerda e trocaram as bolas: fizeram a campanha de 2010 em 2008: quem de fato mais apareceu na TV e nas carreatas ou mesmo nos “santinhos”, na campanha do l°. turno, foi ele e Pimentel… Quem procurasse acharia o candidato a prefeito a duras penas! Ele parecia escondido entre os braços, abraços, gesticulações, falas e sorrisos postiços dos seus dois padrinhos!…Esta façanha, que hoje eles apontam, autocriticamente, como um erro, é, aliás, a melhor prova de que consideravam o seu candidato, Márcio Lacerda, um verdadeiro “poste”, incapaz de ganhar as eleições sozinho.
Confesso que tenho hoje saudades que nunca tive no passado, como as de Tancredo Neves, que, pelo menos, além da paixão política que o animava, tinha sólida cultura liberal-democrática. Ele não diria nunca, como seu neto, Aécio Neves, que o sistema político baseado nas diferenças político-partidárias fosse “radicalismo” e levasse ao “maniqueísmo”. Tancredo sempre disse o contrário. E a tese de Tancredo é mil vezes melhor do que a antítese aeciana. Aécio e Pimentel pecaram e pecam por insegurança. Não acreditavam nem acreditam em seu candidato. Eles acreditam muito é nos seus projetos pessoais. É sempre assim: quando os projetos pessoais primam sobre os interesses da população: a política vira objeto de pacotes. Anastasia é um pacote, Lacerda é outro e Aécio e Pimentel são empacotadores da melhor qualidade.
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