quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A crise nos EUA

Workers World

A ESTRATÉGIA DO MEDO

Algumas coisas que a mídia não diz sobre a crise nos EUA

Em um artigo intitulado "Querem nos meter medo", o cineasta Michael Moore (foto) conta como centenas de milhares de pessoas entupiram os telefones e correios eletrônicos dos congressistas dos EUA contra a lei proposta pelo governo Bush para salvar os bancos em crise. E aponta como Wall Street e seu braço midiático (as redes de TV e outros meios) seguem com a estratégia de atemorizar a população

Quem acompanha a cobertura da crise nos Estados Unidos feita pela imprensa brasileira pode ser levado a acreditar que a política está "atrapalhando" a busca de uma solução para o problema. Essa afirmação vem sendo feita todos os dias por vários jornalistas e colunistas econômicos em todo país, supostamente especializados no assunto. A aprovação da proposta de ajuda aos bancos quebrados é apontada como uma condição necessária para evitar o caos. Há vários silêncios nesta cobertura, aqui e também nos EUA.

Em um artigo intitulado "Querem nos meter medo", o cineasta Michael Moore conta como centenas de milhares de pessoas entupiram os telefones e correios eletrônicos dos congressistas dos EUA contra a lei proposta pelo governo Bush para salvar os bancos em crise. E aponta como Wall Street e seu braço midiático (as redes de TV e outros meios) seguem com a estratégia de atemorizar a população, omitindo, entre outras coisas, que a proposta apresentada ao Congresso não trazia qualquer esperança para os pobres mortais ameaçados de perder suas casas hipotecadas (Marco Aurélio Weissheimer)


Tradução do artigo de Michael Moore publicado no jornal Página 12:

Querem nos meter medo

Todos diziam que a lei seria aprovada. Os especialistas do universo já estavam fazendo reservas para celebrar nos melhores restaurantes de Manhattan. Os compradores particulares em Dallas e Atlanta foram despachados para fazer as primeiras compras de Natal. Os homens loucos de Chicago e Miami já estavam abrindo as garrafas e brindando entre eles muito antes do café da manhã.

Mas o que não sabiam era que centenas de milhares de estadunidenses tinham acordado pela manhã e decidido que era tempo de se rebelar. Milhares de chamadas telefônicas e correios eletrônicos golpearam o Congresso tão forte como se Marshall Dillon (Comissário Dillon, personagem de uma série de televisão) e Elliot Ness tivessem descido em Washington D.C. para deter os saques e prender os ladrões.

A Corporação do Crime do Século foi detida por 228 votos contra 205. Foi um acontecimento raro e histórico. Ninguém conseguia lembrar de um momento onde uma lei apoiada pelo presidente e pelas lideranças de ambos os partidos fosse derrotada. Isso nunca acontece. Muita gente está se perguntando por que a ala direita do Partido Republicano se uniu à ala esquerda do Partido Democrata para votar contra o roubo. Quarenta por cento dos democratas e dois terços dos republicanos votaram contra a lei.

Eis o que aconteceu:

A corrida presidencial pode estar ainda muito parelha nas pesquisas, mas as corridas no Congresso estão assinalando uma vitória esmagadora dos democratas. Poucos questionam a previsão de que os republicanos receberão uma surra no dia 4 de novembro. As previsões indicam que os republicanos perderão cerca de 30 cadeiras na Câmara de Representantes, o que representaria um incrível repúdio a sua agenda. Os representantes do governo têm tanto medo de perder seus assentos que, quando apareceu esta "crise financeira" há duas semanas, deram-se conta que estavam diante de sua única oportunidade de separar-se de Bush antes da eleição, fazendo algo que fizesse parecer que estavam do lado da "gente".

Estava vendo ontem C-Span, uma das melhores comédias que assisti em anos. Ali estavam, um republicano depois do outro que apoiaram a guerra e afundaram o país em uma dívida recorde, que tinham votado para matar qualquer regulação que mantivesse Wall Street sob controle – ali estavam, lamentando-se e defendendo o pobre homem comum.Um depois do outro, usaram o microfone da Câmara baixa e jogaram Bush sob o ônibus, para baixo do trem (ainda que tenham cotado para retirar os subsídios aos trens também), diabos, teriam jogado o presidente nas águas crescentes de Lower Ninth Ward (bairro de Nova Orleans) se
pudessem prever outro furacão.

Os valentes 95 democratas que romperam com Barney Frank e Chris Dodd eram os verdadeiros heróis, do mesmo modo como aqueles poucos que votaram contra a guerra em outubro de 2002. Reparem nos comentários dos republicanos Marcy Kaptur, Sheila Jackson Lee e Dennis Kucinich. Disseram a verdade. Os democratas que votaram a favor do pacote o fizeram em grande parte porque estavam temerosos das ameaças de Wall Street, que se os ricos não recebessem sua dádiva, os mercados enlouqueceriam e então adeus às pensões que dependem das ações e adeus aos fundos de aposentadoria. E adivinhem? Isso é exatamente o que fez Wall Street! A maior queda em um único dia no índice Dow da Bolsa de Valores de Nova York.

À noite, os apresentadores de televisão gritavam: os estadunidenses acabaram de perder 1,2 bilhão de dólares na Bolsa! É o Pearl Harbour financeiro! Caiu o céu! Gripe aviária! Obviamente, quem conhece a bolsa sabe que ninguém "perdeu" nada ontem, que os valores sobem e baixam e que isso também acontecerá porque os ricos compraram agora que estão baixo, os segurarão, depois os venderão e logo em seguida os comprarão novamente quando estiverem baixos de novo. Mas, por enquanto, Wall Street e seu braço de propaganda (as redes de TV e os meios de comunicação que possuem) continuarão tratando de nos meter medo. Algumas pessoas perderão seus empregos. Uma débil nação de fantoches não suportará muito tempo esta tortura. Ou poderemos suportar?

Eis no que acredito: a liderança democrata na Câmara baixa esperava secretamente todo o tempo que esta péssima lei fracassasse. Com as propostas de Bush derrotadas, os democratas sabiam que poderiam então escrever sua própria lei que não favoreça apenas os 10% mais ricos que estavam esperando outro lingote de ouro. De modo que a bola está nas mãos da oposição. O revólver de Wall Street, porém, aponta para suas cabeças. Antes que dêem o próximo passo, deixem-me dizer no que os meios de comunicação silenciaram enquanto se debatida essa lei:

1. A lei de resgate NÃO prevê recursos para o chamado grupo de supervisão que deve monitorar como Wall Street vai gastar os 700 bilhões de dólares;

2. A lei NÃO considerava multas, sanções ou prisão para nenhum executivo que roubar dinheiro público;

3. A lei NÃO fez nada obrigar aos bancos e aos fundos de empréstimo a renovar as hipotecas do povo para evitar execuções. Esta lei não deteria uma sequer execução!

4. Em toda a legislação NÃO havia nada executável, usando palavras como "sugerido" quando se referiam à devolução do dinheiro do resgate a ser feito pelo governo.

5. Mais de 200 economistas escreveram ao Congresso e disseram que esta lei poderia piorar a crise financeira e provocar ainda MAIS uma queda.

É hora de nosso lado estabelecer claramente as leis que queremos aprovar.

Tradução para o espanhol: Celita Doyhambéhére

Tradução para o português: Marco Aurélio Weissheimer


Fonte: Ansa Latina

30 DE SETEMBRO DE 2008 - 14h20

EUA: Execuções hipotecárias provocam luta de costa a costa

Se as pessoas lerem apenas os diários Wall Street Journal e o The New York Times, ou se assistir apenas o canal de notícias CNBC, pensarão que a crise financeira, ou de endividamento, é algo que somente afeta Wall Street, apesar das esporádicas notícias de ''interesse humano'' sobre as execuções de hipotecas e seu impacto sobre os inquilinos e proprietários.


Por Gerry Scoppettuolo, para o Workers World


Protesto contra despejo em Virginia

A verdade sobre a epidemia de liqüidações pelos bancos está sendo escrita nas ruas e nos bloqueios dos despejos e nas lutas comunitárias. Os verdadeiros atores neste drama não são os poderosos corretores das ações ou os funcionários que manejam este mercado, mas sim as famílias operárias — negras, latinas e brancas — que estão lutando ao organizar comitês comunitários e unir-se a manifestações e comícios.


Uma líder nesta luta é Paula Tylor, cuja casa nas vizinhanças de Roxbury, em Boston, foi retomada pelo Bank of America em 5 de setembro passado, enquanto um grupo multinacional de 75 pessoas se postava ao redor da casa, no que foi o oitavo bloqueio contra os despejos neste ano.


O xerife policial, com uma esquadra de 16 policiais de Boston, prendeu quatro pessoas na luta que durou duas horas. Os manifestantes se acorrentaram à porta traseira da casa de Paula, depois que os agentes da polícia foram bloqueados na porta principal. Jim Brook, um integrante negro do grupo pró-direitos dos inquilinos Boston's City Life, acabou acorrentando sua cadeira de rodas ao balcão da casa. Asim que a polícia foi embora, uma delegação de manifestantes, sob a liderança da City Life, rumou até a agência do Bank of America mais próxima, onde continuaram o seu protesto.


Um dos vereadores de Boston, Chuck Turner, participou do bloqueio, que também foi realizado por participantes das Ongs Vida Urbana, Four Corners Neighborhood Association, o sindicato Service Employees, a Alternative for Community and Environemnt (ACE), o T Riders Union, a Rede de Mulheres em Luta, a unidade F.I.S.T de Boston e o Centro de Ação Internacional.


Em 17 de setembro três grandes manifestações contra as liqüidações ocorreram nos Estados Unidos: em Michigan, os manifestantes se reuniram no Capitólio Lansing, às 11h, para realizar uma ação em massa que chamaram ''Moratória Já!'', defendida pela Coalizão para Deter as Liqüidações e Despejos. Os manifestantes exigiram que seja promulgada uma moratória de dois anos contra as liqüidações e que essa ação seja introduzida na lagislação do estado.


Também em 17 de setembro, outra manifestação teve lugar em Los Angeles,
diante do Edifício Federal, exigindo que se declare uma moratória contra as liqüidações de caráter nacional.


Em 20 de setembro, outra manifestação tomou a esquina da Avenida Mass com rua Albany, diante do Banco Countrywide, em uma manifestação organizada pela Rede de Mulheres em Luta de Boston. A manifestação faz parte de uma campanha permanente, exigindo que o governador de Massachussets use seu poder constitucional para declarar Estado de Emergência Econômica e promulgue ordens para deter os cortes de água e eletricidade, as liqüidações e os despejos e reduza os preços dos alimentos e combustíveis.


A Rede Nacional Ad-Hoc para Deter as Liqüidações e os Despejos (Ad-Hoc National Network to Stop Forclosures and Evictions) enviou uma carta de emergência em 16 de setembro ao Comitê Senatorial sobre Bancos, Moradias e Assuntos Urbanos, exigindo uma moratória nacional contra as retomadas.


A lei federal impõe uma moratória obrigatória por 90 dias nas execuções hipotecárias durante um estado de emergência declarado pelo governo. A carta assinala que a recente estatização das agências Fannie Mae e Freddie Mac é, de fato, uma declaração de estado de emergência, e que o governo deve cumprir com suas próprias leis e implementar uma moratória obrigatóra das execuções hipotecárias que são propriedade ou estejam asseguradas por estas instituições.


A Rede também lançou uma campanha de petições na Internet dirigia ao novo dirigente da Fannie Mae e Freddie Mac, ao secretário do Tesouro, aos Comitês do Sistema Bancário e de Finanças do Senado e da Câmara de Representantes, demandando uma nova moratória federal sobre as execuções hipotecárias e os despejos.

1 DE OUTUBRO DE 2008 - 11h00

Naomi Klein: Paradigma do mercado livre está longe do fim

Seja qual for o significado dos acontecimentos desta semana, ninguém deve acreditar nas afirmações exageradas de que a crise do mercado assinala a morte do paradigma do "mercado livre". Esse paradigma tem servido sempre aos interesses do capital, e os seus altos e baixos servirão sempre aqueles interesses.


Por Naomi Klein*

Durante tempos de crescimento econômico é rentável pregar o "laissez faire" porque um governo ausente permite inflacionar as bolhas especulativas. Quando essas bolhas rebentam, a ideologia torna-se um empecilho e hiberna temporariamente enquanto o "Grande Governo" corre para salvar a situação. Mas estejamos descansados: a ideologia voltará com força logo que os salvamentos se tenham realizado.


As dívidas enormes acumuladas pelos bens públicos para salvar os especuladores se tornarão então parte de uma crise do orçamento global que será a justificação para cortes profundos em programas sociais e para um impulso renovado na privatização do que restar do setor público. Também nos será dito que as nossas esperanças num futuro "verde" são, infelizmente, demasiado dispendiosas.


O que não sabemos é como o público vai responder. Tenhamos em conta que na América do Norte todos aqueles com menos de 40 anos cresceram ouvindo que "o governo não pode intervir para melhorar as nossas vidas"; que "o governo é o problema, não a solução"; que o "laissez faire" era a única opção. Agora, subitamente, vemos um governo fortemente intervencionista, extremamente ativo, mostrando-se capaz de fazer tudo o que for necessário para salvar os investidores deles próprios.


Esse espetáculo levanta, necessariamente, a questão: Se o Estado pode intervir para salvar corporações que assumiram riscos imprudentes nos mercados imobiliários, por que não pode intervir para impedir milhões de americanos da execução iminente de uma hipoteca? Pelos mesmos critérios, se US$ 85 bilhões podem ser imediatamente disponibilizados para comprar o gigante dos seguros AIG, por que é que os cuidados médicos de um serviço nacional de saúde – que protegeria os americanos das práticas predatórias das companhias de seguros de saúde – parece ser um sonho tão inatingível? E se cada vez mais corporações necessitam dos fundos dos contribuintes para sobreviver, por que não podem os contribuintes fazer, em compensação, exigências como limitar os montantes dos ordenados dos executivos e uma garantia de que não haja mais demissões?


Agora que é claro que os governos podem realmente intervir em tempos de crise, será muito mais difícil para estes invocarem impotência no futuro. Outra conseqüência prende-se às esperanças do mercado em futuras privatizações. Durante anos os grandes bancos de investimento têm feito lobby junto dos políticos para acesso a dois novos mercados: um que resultaria da privatização dos fundos públicos de pensões e o outro resultante de uma nova onda da privatização, total ou parcial, de estradas, pontes e dos sistemas de distribuição de água. Os sonhos tornaram-se mais difíceis de vender: Os americanos não estão na disposição de confiar mais dos seus ativos individuais ou coletivos a jogadores imprudentes em Wall Street, principalmente porque é mais do que provável que os contribuintes terão de pagar para recuperar de novo os seus ativos quando a próxima bolha rebentar.


Com as negociações na Organização Mundial do Comércio fora dos trilhos, essa crise pode ser um catalisador para uma abordagem radical alternativa para a regulação dos mercados mundiais e sistemas financeiros. Vemos já um movimento no sentido da "soberania alimentar" nos países em desenvolvimento, em vez de deixar o acesso aos alimentos à mercê dos caprichos dos negociantes de matérias-primas. Pode ter finalmente chegado o momento para idéias como impostos ao comércio, o que reduziria o investimento especulativo, bem como outras formas de controlo do capital global.


E agora que nacionalização já não é uma palavra ofensiva, as companhias do gás e petróleo têm de se acautelar: alguém tem de pagar as mudanças para um futuro mais verde e faz todo o sentido que o grosso desses fundos venha do sector altamente rentável que é o principal responsável pela nossa crise climática. Faz certamente mais sentido do que criar outra bolha perigosa no comércio das emissões de carbono.


Mas a crise que presenciamos exige mudanças ainda mais profundas. A razão pela qual se permitiu a proliferação destes empréstimos lixo não foi só porque os reguladores não entenderam o risco. É porque temos um sistema econômico que mede a nossa saúde coletiva unicamente baseado no crescimento do PIB. Enquanto os empréstimos lixo alimentavam o crescimento econômico, o nosso governo apoiou-os ativamente. O que esta crise veio realmente pôr está em causa é o compromisso inquestionado de crescimento a todo o custo. Aonde esta crise nos deve levar é a um modo radicalmente diferente das nossas sociedades avaliarem a sua saúde e progresso.


Nada disto, porém, acontecerá sem uma enorme pressão pública sobre os políticos neste período decisivo. E não o lobby cortês mas um regresso às ruas e o tipo de ação direta que resultou no "New Deal" nos anos 30. Sem isso, haverá mudanças superficiais e um regresso, tão rápido quanto possível, ao "business as usual".


* escritora e ativista canadense.


Tradução reproduzida do Diário.info. Clique aqui para ler o original.

DE SETEMBRO DE 2008

Correa garante maior participação do Estado na economia

Após a vitória no referendo que ratificou a nova Constituição do Equador, o presidente Rafael Correa assegurou nesta segunda-feira (29) que o Estado estará mais presente na economia, ao mesmo tempo em que defendeu a presença militar russa na América Latina e afirmou que o Equador pagará sua dívida externa "segundo as possibilidades".

"O Estado fará sentir mais a sua presença reguladora no setor econômico" do Equador, declarou Correa, economista de formação, em entrevista coletiva à imprensa estrangeira, concedida horas depois da confirmação da vitória do "sim" à nova Constituição.


O presidente equatoriano negou a possibilidade de nacionalização da produção de hidrocarbonetos (gás e petróleo), mas declarou que "atualmente o que as companhias estrangeiras pagam não é adequado às expectativas".


"Temos a intenção de garantir a liberdade empresarial no campo da extração e comercializaçã o dos nossos hidrocarbonetos, mas não permitiremos que as empresas reduzam o nível de seus investimentos", acrescentou Correa. "Se as petroleiras deixam de investir, terão de sair".


Também no setor da mineração o presidente indicou que o nível atual de royalties "é absolutamente muito baixo" e advertiu que os próximos contratos deverão prever "um nível de royalties de 70%".


O presidente equatoriano justificou a presença de uma frota russa em águas do Caribe, com o argumento de que os Estados Unidos também realizam manobras militares na região. "A IV Frota dos Estados Unidos sim pode chegar na América Latina e uma frota russa não pode chegar na América Latina, porque então é Guerra Fria?", perguntou Correa durante a coletiva. "São bem-vindos todos os países e todas as frotas que queiram nos visitar".

1 DE OUTUBRO DE 2008 - 11h43

Odebrecht segue fora do Equador, sustenta Correa

O presidente equatoriano Rafael Correa ratificou nesta terça-feira (30) a sua decisão de expulsar a construtora Odebrecht do país, embora tenha admitido que se a empresa reparar os danos causados, haverá a possibilidade de negociação. "Em princípio, a decisão continua em pé. A Odebrecht está fora do país", afirmou, após se reunir com o presidente Lula em Manaus.

Na semana passada, a companhia enviou um comunicado ao governo equatoriano em que aceita as exigências impostas para continuar operando no país. Essas exigências constituem o pagamento de indenização de US$ 43 milhões pelos prejuízos causados na paralisação da hidrelétrica, que não funciona desde junho, e da reparação total da usina erguida pela empresa.


Correa garantiu que o seu governo irá "estudar" a mensagem da Odebrecht e anunciará a sua decisão nos próximos dias.

Pouco antes, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, havia declarado que a proposta formulada pela Odebrecht criava uma "nova situação" que permite "encontrar uma solução satisfatória" para a crise.


A Odebrecht realiza obras de infra-estrutura em vários países sul-americanos, seguindo a linha política do governo brasileiro que impulsiona a integração física da região. De certo modo, a construtora é símbolo da estratégia integracionista da atual administração brasileira.


Já Correa elogiou Lula pela sua "atitude extremamente respeitosa diante da soberania equatoriana" durante a crise com e empresa, e insinuou que supostos funcionários da Odebrecht tentaram subornar membros do governo equatoriano.


Cúpula


O presidente do Equador participou nesta terça-feira de uma cúpula presidencial ao lado de colegas de Brasil, Venezuela e Bolívia na cidade de Manaus, capital do Amazonas. Depois de reuniões bilaterais, Correa declarou que houve avanços nas negociações sobre o corredor inter-oceânico Manta-Manaus.


Esse projeto "servirá como porta de saída de produtos brasileiros até o mercado asiático sem precisar passar pelo Canal do Panamá, que é muito mais caro", destacou. "Manaus se tornará uma espécie de encruzilhada" até Manta, no Pacífico, que também servirá como ponto de ligação entre Caracas e La Paz, prognosticou o mandatário. "E isso é muito importante. É uma mostra interessante de como avança a integração", opinou.


Fonte: Ansa Latina

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