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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Vale prepara milhares de demissões

Em época de crise (e em outras tb) quem paga o preço são sempre as trabalhadoras e os trabalhadores, enquanto os lucros estratosféricos das grandes corporações e as imensas remunerações aos seus diretores e acionistas continua intacto.
Com é esse o caso da Vale, que era estatal e foi claramente depreada e desvalorizada enquanto era estatal, passando uma imagem de que a gestão pública não gerava renda suficiente para o país, com a intenção óbvia de sua aquisição pelos grandes 'tubarões' financeiros a preço de banana. Lembrando ainda que o grande emblema da privatização era o crescimento da empresa, como retorno em royalties para o país, e principalmente na geração de EMPREGOS ! Ao primeiro sinal de baixa rentabilidade, os trabalhadores são demitidos em massa, sendo que são eles os responsáveis pela produção dessa imensa riqueza, da qual não têm nenhum acesso.
É... realmente... vejo como tem sido "vantajoso" a privatização (como todas as outras) para o POVO brasileiro.
Fiquem atentos ao que está sendo feito com nossa Bacia trilhonária Pré-Sal, se não vai seguir os mesmos caminhos...


Saudações Brigadistas
--
Bruno Mello (Nutri-UFMG)



Vale prepara milhares de demissões

Segunda maior mineradora do mundo se prepara para ser a primeira, demitindo em massa

Nazareno Godeiro, de Belo Horizonte (MG)


No dia 31 de maio, acaba o acordo de licença-remunerada na Vale. Somente 1.300 funcionários estiveram nessa licença, a maioria no estado de Minas Gerais. Ao todo, 6.500 funcionários tiveram férias coletivas.

Desde o início da crise econômica mundial, a Vale demitiu cerca de 2 mil trabalhadores diretos e 12 mil terceirizados, de um total de 120 mil trabalhadores em todo o mundo, sendo a metade terceirizada.

Nos dias 21 e 22 de maio, a empresa está convocando os sindicatos para informar sua política para o próximo período. Em reuniões preliminares, a Vale confirmou demissões massivas em alguns lugares.

Vale alega queda na produção e nos preços
A queda de 45% de aço bruto no mundo em 2008 levou a empresa a cortar a produção de minério de ferro de 295 milhões de toneladas no ano passado para uma meta de 200 milhões em 2009. Só no primeiro trimestre de 2009, a Vale produziu 37% menos minério de ferro. A empresa está comercializando o minério com preços 20% menores.

Com a crise, a empresa paralisou parcialmente ou totalmente as minas improdutivas. Quatro foram paralisadas em Minas. Está deslocando a produção de minério de ferro de Minas para Carajás, no Pará, onde o produto tem teor mais alto de ferro. A Vale paralisou minas de níquel no Canadá e na Indonésia. Também diminuiu a produção de minério de ferro, manganês, níquel, alumínio e caulim.

Situação é excelente
A Vale é uma das empresas mais rentáveis do mundo. Para fazer uma comparação, o lucro líquido dela em 2008 foi o equivalente a 50 vezes o lucro líquido da Embraer no mesmo período e 220 vezes o lucro líquido da GM do Brasil no primeiro trimestre de 2009.

As vendas batem recordes desde 2002 e o EBTIDA, lucro operacional antes das despesas financeiras, que reflete a criação líquida de valor por parte dos trabalhadores, é de quase a metade do faturamento. Os acionistas recebem todo ano, no mínimo, R$ 5,5 bilhões.

A situação das suas concorrentes é drástica. A anglo-australiana Rio Tinto, segunda maior produtora de minério de ferro do mundo, tem uma dívida superior ao seu valor de mercado. Ela pretende demitir 14 mil funcionários e está sendo adquirida pela Chinalco, mineradora chinesa. A maior mineradora do mundo, a BHP, também anglo-australiana, está fechando minas e demitindo 6 mil trabalhadores. Seu lucro líquido caiu 56% em 2008 e ela teve uma queda grande no seu valor.

A Vale poderia argumentar que os resultados de 2008 ainda não refletiam a crise. Porém o balanço financeiro do primeiro trimestre de 2009 revela que, apesar de haver uma queda de 9% no faturamento, o lucro líquido caiu somente 1%.

Por isso, no relatório anual de 2008, a direção afirma: “A Vale está preparada para superar o ciclo de baixa tendo em vista seus ativos de alta qualidade e baixo custo e sua solidez financeira”.

Se a situação da empresa é excelente, por que a Vale realizará demissões em massa?

No mesmo documento de 2008, a Vale informa a seus acionistas: “Durante o ciclo expansionista, a maximização da produção foi fundamental para a maximização de valor, e conseguimos expandir nossa produção agregada a uma taxa média anual de 11,2% desde 2003. No cenário atual, a prioridade se alterou para a minimização de custos como uma importante ferramenta para a criação de valor e estamos perseguindo esse objetivo através de inúmeras iniciativas para reduzir custos operacionais e de investimentos. (...)

Nossa visão é ser a maior empresa de mineração do mundo (...). Continuamos a rever as oportunidades de fazer aquisições estratégicas e focamos em disciplina da gestão de capital, a fim de aumentar o retorno sobre o investimento e retorno total aos nossos acionistas.”


Seguindo essa estratégia, desde dezembro de 2008 a Vale gastou cerca de R$ 4,8 bilhões adquirindo minas na Colômbia, Argentina, África, Canadá e Brasil.

A empresa demitirá massivamente trabalhadores para cortar custos e manter muito dinheiro em caixa e fazer compras de minas estratégicas, diversificando seus produtos para se tornar a maior mineradora do mundo.

Estima-se que o corte na produção do minério de ferro da Vale em 2009 será de 25%. Somente neste primeiro trimestre, a queda foi de 37%.

Isso, provavelmente levará, a Vale a demitir aproximadamente 20% da sua força de trabalho, isto é, cerca de 10 mil funcionários, principalmente em Minas Gerais.

Consequências drásticas
O trabalhador da Vale é muito produtivo. Em seis horas de trabalho, ele paga seu salário mensal, com encargos e tudo. Os gastos com mão-de-obra representam apenas 6% do faturamento da empresa.

Para cada demissão na Vale, segundo o Serviço Geológico Brasileiro, serão 13 empregos perdidos na cadeia produtiva. Caso se comprove a demissão de 10 mil trabalhadores, serão 150 mil demitidos no total.

Além disso, a empresa é responsável por 79% da produção de minério de ferro do Brasil. “As exportações líquidas da Vale responderam por 65,2% do superávit da balança comercial brasileira em 2008”, segundo seu relatório anual.

Para os municípios mineradores, principalmente em Minas, onde se concentram 80% dos cortes produtivos da Vale, as consequências são trágicas. A arrecadação de royalties da mineração no município de Congonhas, em dezembro de 2008, caiu de R$6,5 milhões para R$1,7 milhão.

Grandes municípios mineradores como Itabira, Barão de Cocais, Itabirito, Mariana, Congonhas, Ouro Preto e Nova Lima tiveram uma queda de arrecadação média de 23% no primeiro trimestre de 2009. O significado disso para cidades que dependem essencialmente da mineração é uma queda abrupta nos recursos.

Sacrifício para garantir lucros de bancos
No mínimo, 61% das ações da Vale estão em mãos estrangeiras. Porém esse número certamente é maior, pois na Valepar, consórcio que controla a Vale, a Mitsui, que é um grande conglomerado japonês, possui 23% das ações. Além disso, dos investidores na Bovespa, a maioria é estrangeira.

Porém é necessário identificar quem são esses investidores estrangeiros. Na ata da assembleia de 16 de abril, aparecem os nomes de vários acionistas estrangeiros. Entre esses investidores estão grandes bancos internacionais como o Citibank, um dos maiores do mundo e outro grande, o HSBC. Também o JP Morgan Chase Bank, um dos maiores dos EUA e que movimenta uma carteira de US$ 2,3 trilhões. O Barclays Global Investors, grande banco da Inglaterra, cujos fundos movimentam US$ 2,8 trilhões. O Fidelity Management, maior fundo mútuo dos EUA, com US$ 1,6 trilhão em carteira. O Vanguard Emerging Markets, nono maior fundo dos EUA, com US$ 1,3 trilhão. O Morgan Stanley, dos EUA, que opera US$ 779 bilhões em 33 países. O Templeton, dos EUA, que opera em 30 países com US$ 411 bilhões, e assim por diante.

São esses especuladores internacionais que determinam a orientação de negócios para Roger Agnelli, que gerencia a Vale a serviço de grandes bancos estrangeiros no Brasil. Curiosamente, são praticamente os mesmos fundos de investimentos que são donos da Embraer.

Bilhões para acionistas e Mega-Sena a executivos
Apesar da crise, os acionistas da Vale aprovaram na sua assembleia geral de abril manter o pagamento de R$ 5,7 bilhões para eles mesmos este ano. É o mesmo pagamento efetuado em 2008, ano recorde para a empresa.

Essa mesma assembleia aprovou um pagamento anual de R$ 70 milhões como honorários aos seis diretores executivos da empresa. Isso significa uma Mega-Sena para cada diretor, ou R$ 13 milhões por ano.

Esses mesmos executivos informam, no relatório anual de 2008, perdas com a especulação financeira em derivativos: “mudanças cambiais nos levaram a reportar lucros (perdas) em moedas estrangeiras da ordem de US$ 1,011 bilhão...”.



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