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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Caminhada nacional pelos direitos dos povos chega à Cidade do Panamá

Karol Assunção *

Adital -
Depois de 19 dias de caminhada sob sol, chuva, ameaças e detenções, a Mobilização Indígena, Campesina e Popular chegou, hoje (06), na cidade do Panamá (Panamá). Os manifestantes estão concentrados na Puente de las Américas, de onde sairão às 16h (18h, horário de Brasília) rumo à Assembleia Nacional.

Desde o dia 17 de setembro, indígenas, camponeses e populares percorrem - sob a palavra de ordem "Pelo Direito à existência dos povos originários e camponeses em suas comunidades e territórios ancestrais com justiça social" - várias comunidades do país reivindicando os direitos de indígenas e camponeses e de seus territórios.

Ao todo, foram cerca de 380 quilômetros de caminhada da Comarca de Ngäbe Bukle até a capital panamenha. A mobilização da cidade do Panamá prosseguirá até a próxima segunda-feira (12), quando os manifestantes, juntamente com organizações sociais e nacionais, realizarão um ato em protesto na Plaza Catedral.

Os manifestantes reivindicam, dentre outras questões: a ratificação do Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e demais acordos e tratados internacionais sobre os direitos humanos; a delimitação das terras anexas à Comarca de Ngäbe Bukle; o fechamento do projeto Mineiro Petaquilla; a derrogação de leis e concessões mineiras, hidrelétricas e turísticas em terras indígenas e camponesas.

Além disso, denunciam os despejos de suas terras por transnacionais e empresas pecuárias que têm apoio de autoridades governamentais. "Exigimos que se cumpra a medida cautelar ditada pela CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) no caso do Projeto Hidrelétrico de Charco La Pava (Chan-75), e a saída da [empresa] AES do território", acrescentam os manifestantes em comunicado sobre a Marcha.

Marcha da Fome

Essa não é a primeira vez que camponeses e indígenas panamenhos caminham em busca pelos direitos deles. Ontem (05), completou-se 50 anos da "Marcha de Fome e Desesperação". Naquela ocasião, membros do movimento popular panamenho partiram no dia 4 de outubro da cidade de Colón e chegaram no dia seguinte na cidade do Panamá.

No total, foram 90 quilômetros de caminhada e manifestações pelo cumprimento dos direitos dos povos. Tal marcha rendeu muitos ganhos para os panamenhos e panamenhas. Dentre as conquistas, destacaram-se a criação da Lei de Salário Mínimo e o debate sobre a situação de desemprego, os elevados preços de alugueis de casas populares e a necessidade de uma lei de reforma agrária.

Mais informações sobre a Marcha em: http://www.caminatapanama.org


* Jornalista da Adital

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