A nomeação é um mais um absurdo produzido por este governo na área das comunicações.
Ocorre que, em 1995, o governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) fez aprovar a Emenda Constitucional n° 8 (EMC 8), que visava permitir a privatização da Telebrás. Na undécima hora, por força do lobby da Abert, a EMC 8 foi alterada para permitir uma esdrúxula separação, tornando o Brasil o primeiro e único país do mundo onde radiodifusão deixou de fazer parte das telecomunicações. A divisão visava atender à pressão da Globo para não permitir que a agência que viria a ser criada (Anatel) regulasse a radiodifusão.
Ou seja, o lobby da Globo deixou a radiodifusão de fora da regulação da Anatel.
Mas, agora, os radiodifusores possuem fortíssimos interesses nas decisões da Anatel sobre uso do espectro eletromagnético. Especialmente com a possibilidade de realocação da faixa de 700 MHz, atualmente ocupada pelo UHF, para a banda larga. Bem como, a realocação da faixa de 3,5 GHz, atualmente ocupada pelas parabólicas de Banda C, também para a banda larga. Nos dois casos, os radiodifusores podem perder espectro para as teles.
A partir dessa demanda dos radiodifusores, o governo decidiu permitir que a Abert ocupe uma das vagas do Conselho Consultivo da Anatel originalmente destinadas às teles. Ou seja, quando interessa à Globo, a Anatel fica constitucionalmente impedida de regular a radiodifusão. E quando interessa, o governo quebra o galho e garante aos radiodifusores uma vaga no Conselho Consultivo da Anatel.