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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Quando a imprensa vai investigar seus próprios patrocinadores?



Prevendo Você
Ouvir ligações de celular, registrar localizações e invadir computadores são apenas uma parte do kit de ferramentas que as empresas mineradoras de dados oferecem ao serviço de inteligência dos Estado Unidos (e de outros países). Pense que os dados são equivalentes a companhias de petróleo e gás natural, que estão prontos para extrair as riquezas subterrâneas que estiveram escondidas ao longo dos anos em cofres nos nossos porões.
O que as agências do governo realmente querem, no entanto, não é só a habilidade de minar, mas de refinar essas riquezas no que equivale a combustível de alta octanagem para suas investigações em nossa forma de organização de dados para conduzir relacionamentos importantes, encontrar restaurantes ou descobrir música nova nos nossos celulares e computadores.
Essas tecnologias – muitas vezes chamada de análise de redes sociais ou ferramentas de análise semântica – estão agora sendo apropriadas pela indústria de vigilância como forma de expor potentes ameaças que poderiam surgir de comunidades online de manifestantes ou ativistas antigoverno. Como Raytheon, uma grande fabricante de produtos militares, que faz mísseis Sidewinder (de ar para ar), e mísseis Maverick (de ar para terra), mísseis Patriot (da superfície para o ar) e os mísseis Tomahawk, lançados em cruzeiros submarinos. Seu último produto foi um pacote de software estranhamente chamado “Riot”, que afirma ser capaz de prever onde indivíduos costumam ir, usando tecnologia que combina dados de redes sociais como Facebook, Foursquare e Twitter.
Raytheon’s Rapid Information Overlay Technology (Tecnologia Rápida de Sobreposição de Informações) software – sim, foi assim que eles conseguiram a sigla Riot – extrai dados de localização através de fotos e comentários publicados online por indivíduos e analisa essa informação. O resultado é uma variedade de diagramas que mostram onde o indivíduo provavelmente irá em seguida, o que ele gosta de fazer, e com quem ela se comunica ou provavelmente se comunicará em um futuro próximo.
Um vídeo de demonstração de 2010 do software foi publicado online recentemente pelo Guardian. Nele, Brian Urch, da Raytheon, mostra como o Riot pode ser usado para rastrear “Nick” – um funcionário da companhia – permitindo prever o melhor momento e lugar para roubar seu computador ou colocar um software de espionagem nele. “Seis da manhã aparenta ser o tempo mais frequente de visita à academia,” diz Urch. “Então, se você quisesse tentar ganhar um abraço de Nick – ou talvez pegar seu laptop –, você deva tentar visitá-lo na academia às 6h na segunda-feira.”
“Riot é um grande projeto de sistema de análise de dados no qual estamos trabalhando com indústrias, laboratórios nacionais e parceiros comerciais para transformar uma quantidade massiva de dados em informações úteis, para ajudar a nação a mudar rapidamente suas necessidades de segurança,” Jared Adams, o porta-voz do departamento do sistema de informação e inteligência da Raytheon, disse ao Guardian. A companhia nega que alguém já comprou o Riot, mas as agências do governo dos Estados Unidos estão certamente ansiosas para possuir tais ferramentas.
Por exemplo, em janeiro de 2012, o FBI publicou o pedido de um aplicativo que permitiria “oferecer uma busca automática e ter acesso total às redes sociais, incluindo Facebook e Twitter, além de traduzir imediatamente tweets em línguas estrangeiras em inglês.” Em janeiro de 2013, a Administração de Segurança dos Transportes (Transportation Security Administration ) pediu que contratantes proporcionassem aplicativos “para gerar uma avaliação dos riscos que um indivíduo específico pudesse colocar ao sistema de transporte de aviação” usando “correntes de fontes específicas, precisas, e dados completamente não governamentais.”
Ativistas da privacidade dizem que o pacote Riot é problema certo. “Esse tipo de software permite que o governo vigie todo mundo,” Ginger McCall, a diretora do programa não governamental Centro de Informações Eletrônicas Privadas (Electronic Privacy Information Center’s), disse ao NBC News. “Ele apanha um monte de informações sobre pessoas totalmente inocentes. Não parece ter razões legítimas para conseguirem isso.”
Refinar combustível de depósitos do subsolo nos permitiu viajar vastas distâncias por ônibus, trens, carros e aviões por prazer e lucro, mas com um custo não intencional: o crescente aquecimento do nosso planeta. Do mesmo modo, o refinamento dos nossos dados em aplicativos sociais por prazer, lucro e vigilância do governo também está vindo com um custo: a erosão crescente da nossa privacidade e, finalmente, a nossa liberdade de expressão.
Já tentou gritar de volta para uma câmera? Você sabe que ela está ligada. Você sabe que alguém está assistindo o trajeto, mas ele não responde a reclamação, ameaças ou insultos. Em vez disso, ele apenas te observa de forma ameaçadora. Hoje, o estado de vigilância está tão profundamente alojado em nossos dispositivos de dados que nós nem mesmo gritamos de volta porque companhias de tecnologia nos convenceram que precisamos estar conectados a eles para sermos felizes.
Com muita ajuda do setor de vigilância, o Grande Irmão já ganhou a batalha para vigiar todos nós a todo tempo – a não ser que nós decidamos fazer algo sobre isso

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