segunda-feira, 14 de abril de 2008

Embaixador cubano fala sobre o genocídio cultural no Iraque


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Embaixador cubano fala sobre o genocídio cultural no Iraque

Em um artigo publicado no início deste mês pela revista cubana La Jiribilla , o embaixador cubano no Iraque à época da invasão, Ernesto Gómez Abascal, conta a destruição que a cultura iraquiana sofreu com a ação de bombardeio e saques promovidos pelas forças de invasão americanas. Foram perdidos milhares de documentos, inclusive originais de "As Mil e Uma Noites". Leia abaixo a íntegra do artigo.

"Domingo, 13 de abril de 2003 tinham cessado os combates em Bagdá, ainda que de quando em vez se ouvissem explosões e tiros isolados, e na obscuridade da noite do terraço da nossa embaixada, ponto de observação escolhido a partir da ocupação da cidade pelas tropas estadunidenses, víamos os incêndios que contrastavam com a total falta de energia eléctrica.

Seriam cerca das 21 horas, quando no refúgio que tínhamos preparado com um metro de profundidade no pátio da embaixada em Bagdá, tocou o telefone via satélite com que mantínhamos contacto com Cuba e outros locais. Quando atendemos, uma voz respondeu-nos: "um momento, vai-lhe falar o Comandante".

Desde o início dos criminosos ataques estadunidenses estávamos a receber estas chamadas que, além de mostrarem preocupação pela nossa situação e nos perguntarem detalhes tão inesperados como o que tínhamos comido ao café da manhã nesse dia, nos crivavam de perguntas sobre a situação militar, o que observávamos nas nossas passagens pela bombardeada cidade, as nossas previsões sobre possíveis desenlaces, etc. Naturalmente, preparavamo-nos antecipadamente para tais interrogatórios, ainda que por muito que o fizéssemos, sempre nos perguntava qualquer coisa que não tínhamos previsto.

Esse dia 13 (e eu não acredito em superstições) foi um deles. Estava reunido em Havana com representantes do setor cultural e ao que parece como tinha já feito em anteriores ocasiões quando conseguia falar para nós, alargava a participação [WINDOWS-1252?]— através da amplificação do som [WINDOWS-1252?]— a todos os presentes na reunião. Com a sua grande sensibilidade, Fidel estava preocupado com as notícias que chegavam sobre a destruição e o saque de importantes centros culturais e históricos, e as suas perguntas eram dirigidas para esse tema, apesar de nós quase não termos informação sobre isso. Foi no dia seguinte, quando demos as nossas voltas pela cidade que pudemos comprovar, se bem que de forma limitada, a dimensão do desastre, ao ver incendiados os o moderno Teatro Nacional no centro da cidade, a Biblioteca Nacional, a Casa da Sabedoria, o Museu Nacional de [WINDOWS-1252?]Artes…

O inventário mais detalhado feito depois por especialistas especifica a verdadeira magnitude da tragédia e faz-nos refletir sobre as razões deste genocídio cultural:

• Foram queimados ou destruídos mais de um milhão de livros na Biblioteca Nacional, incluindo textos e originais de incalculável valor como as Mil e Uma Noites Árabes, Tratados Matemáticos de Omar Khayyan, Tratados filosóficos de Avicena e outras obras de sábios criadores como Avenroes, al Kindi e al Faribi. Documentos básicos da história da Civilização, a origem da cultura e do homem. Na Mesopotâmia, que significa "terra entre dois rios", está Kurna onde, de acordo com as lendas bíblicas, esteve o paraíso terrestre; de Ur, cidade da Caldéia, partiu Abraão, patriarca das religiões monoteístas; Em Mosul está a de Noé.

• Num piso superior do edifício da Biblioteca, ardeu o Arquivo Nacional e com ele boa parte da memória do país.

• Do Museu Arqueológico de Bagdá foram roubados mais de 15 mil objetos de valor, testemunhos únicos.

• A Biblioteca Corânica foi queimada, transformando em cinzas documentos de inestimável valor religioso.

Os bombardeios nos dias anteriores à ocupação já tinham destruído ou danificado locais de grande valor histórico que são patrimônio da humanidade, como as ruínas da Babilônia, o edifício da Universidade de Mustansiriya, etc. Esse foi, apenas, o início da tragédia.

Depois, a partir da entrada dos ocupantes em Bagdá, viria o pior. Sob o olhar complacente dos invasores e violando as disposições que os obrigavam a proteger o patrimônio cultural do país ocupado, iniciou-se o roubo, o saque e um incêndio generalizado, que provocou, talvez, a maior destruição cultural da história. Houlagou, o bisneto de Gengis Khan fez uma coisa parecida em 1258, quando destruiu Bagdá e lançou uma tal quantidade de livros nas águas do Tibre, que estas ficaram negras pela quantidade de tinta e, dizia-se, podia atravessar-se o rio caminhando sobre [WINDOWS-1252?]elas… O mongol teria sentido inveja ante o espetáculo dantesco de agora.

Mas não se ficou por aqui. Hoje, de acordo com estimativas dos organismos especializados das Nações Unidas, 84% das Instituições de Educação Superior foram destruídas ou saqueadas. Desde o início da guerra, 825 docentes universitários foram assassinados e o número cresce todos os meses. Centenas de profissionais tiveram de fugir para outros países e não é pequeno o número dos desaparecidos.

Só no passado mês de Janeiro, foram assassinados Munther Murjej Rahdi, decano da Faculdade de Odontologia da Universidade de Bagdá, Aziz Sulaiman e Jalil Ibrahim A. al-Naimi, professores da Universidade de Mosul. Esquadrões da Morte que obedecem aos EUA e Israel parecem estar por trás destes crimes.

Calcula-se que 10 mil estações arqueológicas foram saqueadas em todo o território iraquiano.

Até à primeira guerra do Golfo, o Iraque era o país com maior potencial técnico e econômico da região árabe e tinha alcançado assinalável desenvolvimento. O seu sistema educativo era o mais adiantado, o de nível mais elevado. Caracterizava-se pelo seu laicismo e pela ausência de fanatismo. As suas reservas de petróleo e gás colocavam-no em segundo lugar mundial.

Tudo isto o converteu no centro de interesse e da cobiça da pandilha neofascista e sionista que predomina no governo de Washington, que o viram como a maior e mais importante potencial ameaça para os seus interesses hegemonistas no Oriente Médio e como uma presa muito apetecível. A guerra foi concebida não apenas como meio de ocupação e dominação, mas também como uma acção premeditada para destruir a cultura nacional, apagar a sua identidade e o seu patriotismo, erradicar a memória histórica e liquidar as instituições que lhe serviam de suporte. Os fatos traduzem também uma importante quota de ódio aos valores islâmicos e, apagando a cultura também pretendem apagar o futuro dos iraquianos. Quiseram dar um castigo exemplar e, mesmo que não possam dominar o povo iraquiano, persistirão no objetivo de o dividir, de o destruir.

Veremos se o conseguem."

Este artigo foi publicado em La Jiribilla

*Diplomata, embaixador de Cuba em Bagdá durante a invasão e ocupação militar do Iraque pelas tropas dos EUA e Reino Unido em 2003. Tradução de José Paulo Gascão para o site O Diário.info

Bush congela retirada de

tropas ocupantes do Iraque

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou nesta quinta-feira (10) em Washington, a suspensão temporária da retirada de soldados ocupantes do Iraque, e reduziu a 12 meses o tempo de estadia das tropas no país.

Em uma intervenção no Cross Hall da Casa Branca, Bush apoiou a proposta do comandante supremo das forças de ocupação do Pentágono no Iraque, o general David Petraeus, que esteve esta semana em uma audiência no Congresso, junto com o embaixador estadunidense em Bagdá, Ryan Crocker.

Petraeus qualificou de ''frágil e reversível'' a situação bélica no Iraque, recomendando ''congelar'' durante 45 dias o retorno das unidades, prazo que começaria em agosto, após a evacuação de quase 30 mil reforços enviados em 2007 para o teatro de operações.

Em relação ao tempo de permanência na ocupação, o chefe da administração americana indicou uma redução de três meses, decisão interpretada como uma resposta às reclamações sistemáticas dos comandantes militares, a partir do esgotamento e estresse diagnosticado entre os efetivos.

''Solicitei ao secretário da Defesa, Robert Gates, para deixar a estadia em 12 meses, para aliviar o peso dos militares e de suas famílias'', assinalou Bush.

As declarações do presidente se caracterizaram por ressaltar supostos progressos no panorama militar, político, econômico e diplomático do país árabe.

''Estamos indo por um bom caminho'', filosofou Bush, que qualificou de ''estratégico'' para os Estados Unidos o êxito na ocupação.

O discurso do presidente ocorre no momento em que cada vez mais protestam contra a presença das tropas no Iraque, manifestações expressadas por setores políticos e a opinião pública nacional.

Congressistas democratas insistem no regresso das tropas e mostram preocupação por possíveis vulnerabilidades surgidas nos Estados Unidos devido aos enormes recursos destinados à ocupação, critérios manifestados nas audiências de Petraeus e Crocker ante o Capitólio.

Por sua vez, mais de 60% dos americanos se opõem à guerra, de acordo com recentes pesquisas de diversos meios de comunicação.

Os Estados Unidos mantêm cerca de 160 mil militares no Iraque, já tendo admitido a perda de quatro mil e 23 soldados e 30 mil feridos.

Agência Prensa Latina

Espanhóis denunciam pressão

anti-cubana dos EUA sobre Europa

Várias organizações sociais e políticas espanholas denunciaram nesta quinta-feira (10) em Madri, capital da Espanha, a intensificação das pressões dos Estados Unidos sobre a União Européia para que esta participe de forma mais acentuada de sua hostilidade contra Cuba.

Em um documento divulgado em Madri, essas organizações advertem que a atuação de Washington ocorre em um momento no qual existe uma aproximação favorável da UE em relação ao país do Caribe.

Mesmo assim, lembram que a UE vai revisar, em junho, as medidas que impôs a Cuba em 2003, em um ato que colocou em dúvidas a soberania e a independência européia com relação a Cuba.

O comunicado foi divulgado por motivo da viagem pela Europa do funcionário encarregado dos assuntos cubanos no departamento de Estados americano, Caleb McCarry, considerado pelos cubanos um pro-cónsul do governo americano.

O texto explica que o périplo desse personagem inclui a Bélgica, Alemanha e Noruega, assim como outros estados europeus que mantêm em segredo e entre os quais é muito possível que esteja a Espanha.

Também revela que a gestão de McCarry foi precedida por uma visita a Madri da vice-secretária de Estado Adjunta, Collen Graffy, "quen solicitou publicamente explicações a Moratinos (chanceler espanhol, Miguel Ángel) por sua viagem a Havana" há um ano.

"A agressividade dos Estados Unidos contra a Revolução Cubana não cessa e segue pressionando e chantageando a todos os países do mundo, em particular a União Européia, para que mantenha a denominada posição comum e às medidas contra Cuba", incluiu.

Finalmente, adverte ao governo de Espanha para que não seja cúmplice "de um país (EUA) que cosnpurca sistematicamente contra os direitos humanos" e exige que não recebe a McCarry sob nenhuma hipótese.

O comunicado foi assinado por diversas associações e grupos de amizade e solidariedade com Cuba, assim como pelo Comitê pela Libertação dos Cinco (lutadores antiterroristas cubanos aprisionados pelos Estados Unidos).

Com informações da Agência Prensa Latina e jornal La República

Rice pede fim de referência

a Mandela como 'terrorista'

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu que restrições "embaraçosas" que impedem a entrada nos Estados Unidos do ex-presidente Nelson Mandela e de outros líderes sul-africanos sejam suspensas.

A Comissão para Assuntos Exteriores da Câmara dos Representantes apresentou ao Congresso americano um projeto de lei que prevê a remoção de referências a membros do governo da África do Sul e a outros líderes do país como "terroristas" em arquivos do governo.

Atualmente, qualquer membro do partido Congresso Nacional Africano (CNA), de Mandela, precisa de uma permissão especial para entrar nos Estados Unidos.

O partido foi classificado de organização terrorista pelo antigo regime de Apartheid, que governou a África do Sul de 1948 a 1990.

"Francamente, é bastante embaraçoso que eu ainda tenha de autorizar a entrada dos meu equivalente - o ministro das Relações Exteriores da África do Sul - isso para não mencionar o grande líder, Nelson Mandela", disse Rice.

"Vergonhoso"

Na semana passada, Howard Berman, presidente da Comissão para Assuntos Exteriores, disse que era "vergonhoso" que os Estados Unidos ainda tratassem o CNA desta forma.

"É incrível, mas Nelson Mandela ainda precisa obter uma permissão especial para entrar nos Estados Unidos por causa de sua corajosa liderança do CNA. Que insulto. Esta legislação vai acabar com isso", disse Berman.

O governo da África do Sul baniu o CNA em 1960, prendendo seus líderes ou forçando-os ao exílio.

Mandela, que completa 90 anos este ano, foi libertado em 1990, após passar 27 anos na prisão.

Ele se tornou o primeiro presidente da África do Sul na era pós-Apartheid e se aposentou depois de exercer um mandato. A saúde de Mandela parece ser boa, mas ele faz cada vez menos aparições em público.

Texto: Ernesto Gómez Abascal* / Postado em 11/04/2008 ás 10:26

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