segunda-feira, 14 de abril de 2008

Lucro de empresas dobra

Lucro de empresas dobra desde início do governo Lula

Levantamento da Economática mostra que ganho de 257 companhias somou R$ 123,753 bilhões em 2007

Marcelo Rehder

O lucro das empresas com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) dobrou desde o início do governo Lula. Levantamento divulgado ontem pela Economática mostra que os ganhos líquidos de um grupo de 257 empresas analisadas somaram R$ 123,753 bilhões no ano passado, o que representa um salto de 100,7% em relação ao volume registrado em 2003 (R$ 61,643 bilhões ), já descontada a inflação.

O resultado dessas companhias em 2007 foi o melhor desde 2003. O lucro cresceu 20,16% em relação aos R$ 102,9 bilhões de 2006. Isso significa maior capacidade das empresas para investirem com capital próprio, especialmente na modernização e ampliação da capacidade produtiva da indústria.

O dado é considerado relevante nesse momento em que as expectativas do mercado estão voltadas para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para a semana que vem, quando será definida a taxa básica de juros (Selic).

Os bancos lideram a lista de maiores lucros em todos os cinco anos analisados. O ganho das 21 instituições que integraram a pesquisa passou de R$ 12,7 bilhões em 2003 para R$ 28,7 bilhões em 2007, com aumento de 125%.

As empresas de energia elétrica (30) tiveram o segundo maior lucro em 2007, de R$ 14,491 bilhões, com alta de 314% em relação a 2003. Em terceiro lugar, vêm companhias das áreas de siderurgia e metalurgia, com ganho de R$ 11,1 bilhões. "Os dados reforçam a tese de que a economia tem recuperado sua capacidade de investir, diminuindo as chances de uma pressão de demanda se tornar inflacionária, como teme o Banco Central", diz Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

O presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Antônio Castro, observa que "o ano de 2007 foi muito especial, tudo deu certo". Ele ressalta o forte crescimento da economia, puxado pela demanda interna, em razão do aumento da renda das famílias e do crédito fácil.

Segundo o presidente da Abrasca, a maioria das empresas de capital aberto continua vendo uma situação de crescimento expressivo para este ano. Castro cita que uma sondagem feita recentemente entre empresas filiadas à entidade mostrou que as expectativas para variáveis como investimentos e emprego são positivas. A principal preocupação, no entanto, é a inflação.

"Essa hipótese de inflação de demanda não está em cima da bucha", afirma o presidente da Abrasca. Ele argumenta que os investimentos em máquinas e equipamentos estão ampliando a capacidade de oferta no ritmo necessário para atender ao aumento da demanda sem pressões sobre os preços. Para Castro, a medida mais saudável para a economia neste momento seria uma redução dos gastos públicos. "O nível está muito elevado e o ônus do combate à inflação acaba caindo em cima da política monetária."

O levantamento da Economática mostra que metade dos lucros das 257 empresas analisadas corresponde a ganhos da Petrobrás e Vale. Sem as duas gigantes, o lucro das 225 empresas restantes atinge R$ 82,2 bilhões, que também o maior valor registrado no governo Lula, dentro desse universo.