Estudantes são agredidos pela Polícia Militar no Campus da UFMG
Pelo menos dez estudantes ficaram feridos ontem à noite no Campus da UFMG, segundo informações do Diretório Central dos Estudantes (DCE). A estudante de medicina Débora Medeiros foi encaminhada para o pronto socorro João XXIII com ferimentos na cabeça e o e estudante de geografia Wander Lúcio Mourão Júnior foi levado com marcas de espancamento pelo corpo. Outros alunos e professores sofreram ferimentos leves.
De acordo com a entidade, um grupo de cerca de 15 estudantes se encontrava no Instituto de Geociências (IGC) para a exibição do documentário Grass Maconha, distribuído pela Revista Superinteressante, da Editora Abril. Os estudantes haviam solicitado a exibição do documentário para a diretora do Instituto que não autorizou o pedido e encaminhou um ofício à Reitoria da universidade solicitando o reforço da segurança nas dependências da unidade.
Estudantes que estavam no local afirmam que aproximadamente sete e trinta da noite policiais militares entraram no IGC, trancaram as portas da unidade, e impediram a exibição do filme. Um estudante de geografia, que não participava da mobilização, tentou deixar a unidade e foi impedido pela PM. De acordo com o tenente-coronel Calixto, o estudante foi preso por desacato à autoridade. Ainda segundo o representante da PM, os policiais utilizaram a força física para conter os estudantes. “A segurança privada da UFMG se sentiu ameaçada e acionou a PM para impedir a exibição do filme que fazia apologia às drogas. Os policiais tentaram negociar a não-exibição e nesse momento um estudante proferiu palavras de baixo calão e foi preso por desacato. Outros estudantes se revoltaram e atiraram pedras nos policiais que usaram os meios necessários para conter a violência”.
A estudante de medicina Débora Medeiros, 24, representante do DCE, estava no IGC para uma reunião geral do diretório. Ao ouvir o tumulto, ela e outros participantes da reunião tentaram conversar com os policiais e impedir que o estudante fosse preso. Os estudantes se revoltaram com a prisão do colega e gritaram palavras de ordem. “Na hora que os policiais iam sair levando o estudante algemado começaram a dar marcha ré e de repente veio uma avalanche de cacetete, de choque, eles jogaram spray de pimenta. Acertaram minha cabeça duas vezes com cacetete e estou com hematoma nos braços e nas costas” diz Débora.
Gloria Trogo, 24, estudante de Letras, também garante que o DCE tentou negociar a liberação do estudante de geografia, mas não houve diálogo. De acordo com Glória: “Os policiais agiram com muita truculência com os alunos, com os professores e até um coordenador do curso foi atingido. Eram 10 viaturas, uns 30 policiais e tinha até um helicóptero sobrevoando o IGC”.
O estudante de engenharia mecânica Leandro Fonseca, 21, passava em frente ao IGC quando viu estudantes aos gritos atirando pedras nos policiais. Para Leandro, foi uma das pedras jogadas pelos alunos que atingiu a estudante de medicina.
A Reitoria divulgou nota à comunidade acadêmica na qual afirma que não autorizou nem a presença nem a ação da Polícia Militar e afirma que serão tomadas providências para apuração dos fatos e das responsabilidades. Os alunos do IGC suspenderam as aulas hoje e fazem assembléia geral às sete da noite para discutir os rumos da mobilização. O DCE afirma que possui imagens da violência policial no IGC.
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