domingo, 20 de julho de 2008

Caras e caros colegas,
este artigo e outros estão no site www.uniãosulamerican a.com, que, breve, estará lançando mão de tecnologias novas online - rádio, jornal e blog - para oferecer melhores serviços e interagir com os que nos derem o prestígio de sua visita. Desde já, agradecidos com sua presença, avisamos que não acreditamos no jornalismo imparcial, objetivo, equilibrado. Concordamos com W. Bush, que interveio no sistema, para evitar o caos, descartando a pregação ideológica marginalista- utilitarista- equilibrista. O equilíbrio é negação da natureza, permanentemente, desequilibradora. Obg pela atenção, abs
César

Capitalismo vira comunismo
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César Fonseca
A grande mídia, nacional e internacional, está receosa em abordar a bancarrota financeira no cenário capitalista global, que se inicia, sempre, nos países capitalistas cêntricos, antes de espalhar pela periferia. Mas, não consegue esconder o óbvio: o colapso do sistema imobiliário nos Estados Unidos levou a economia mais forte do mundo a partir para a estatização bancária, para surpresa geral dos pregadores neoliberais, cujas teses entraram em colapso.
A falência de dois grandes bancos americanos - Fannie Mae e Freddie Mac - , detentores de empréstimos da ordem de 5,2 trilhões de dólares, obrigou o governo americano a socorrê-los. O que é isso? Pergunte a Lênin.
Washington inaugurou nova fase do neocapitalismo intervencionista americano, muito parecido com o comunismo soviético. Segue discurso leninista o neo-sovietismo capitalista de Tio Sam, favorável à intervenção do Estado no sistema financeiro, no comércio exterior etc.
Era uma vez o neo-neoliberalismo que tentou voltar ao útero materno em cadáver apodrecido.
O discurso neoliberal americano pregado para os outros não serviu para si mesmo. As diferenças entre capitalismo e comunismo se desanuviam no compasso da bancarrota , que leva o Estado americano a atuar como oligopólio financeiro salvador da pátria capitalista global. A economia política vai determinando a política econômica.
A Casa Branca, na prática, assumiu o controle dos falidos, injetando moeda em circulação, no mesmo valor, para salvá-los do incêndio, apelando, irreversivelmente, para a inflação keynesiana.
A inflação deteriora a moeda e os lucros bancários, se o bombeamento financeiro estatal deixar de funcionar. W. Bush demonstrou que não deixará isso ocorrer.
O preço a pagar pode ser o aumento do juro, como preço pelo risco, ou a estatização do crédito pode dar outro caminho, na base do intervencionismo, ao custo do dinheiro?
Se W. Bush ficasse parado, com a boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar, como destacou Raul Seixas, comportando- se, de forma semelhante aos editorialistas da grande mídia, que ficaram paralisados, haveria implosão geral na praça, algo muito mais sério do que a crise de 1929, que detonou mais de cinco mil bancos nos EUA.
O irônico é que o antídoto da crise seja a prática comunista estatal Animem-se, editorialistas, vem por aí mais surpresas e emoções, no embalo da sobredesvalorizaçã o do dólar
Risco EUA assusta globo
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O risco EUA virou, portanto, ameaça mais séria ao capitalismo global. Lênin disse que esse é o melhor momento para os que sonham com o socialismo. Tio Sam não brincou em serviu: partiu para a homeopatia. Veneno de cobra contra veneno de cobra: usou o remédio comunista para afastar as previsões do líder soviético, que disse ser as crises monetárias as parteiras do socialismo-comunism o.
A estatização bancária americana em curso representou opção contra a crise inflacionária e pode sinalizar saídas não liberais para combater a taxa de juro. Novos paradigamas econômicos poderão estar em curso.
Na prática, a estatização bancária americana representa saída para evitar beiço geral nos mutuários. Ela inaugura nova fase do capitalismo intervencionista para tentar superar suas próprias contradições. Horror midiático. É uma fuga para frente.
Os bancos centrais estão em polvorosa. Em reunião , na quinta, em Washington, o Instituto de Finanças Internacionais( IIF), reconheceu, em explosivo relatório de 200 páginas, que faltou ao governo suficiente capacidade para regular as transações globais.
O que os banqueiros concluíram? Desastre da economia neoliberal. Apavorados com o prejuízo visível, correram para o colo estatal.
Os banqueiros, totalmente, irresponsáveis, no contexto da crise, bastante aplaudidos pelo poder midiático, enquanto a festa rolava, concordam com o óbvio: deixaram predominar excessivo laxismo na política de crédito. Muito bem fornida pela propaganda dos bancos, estimulando tomada de crédito, na disputa pelo mercado, a grande mídia sucumbiu-se no espírito acrítico.
Mas, banqueiro vai reclamar quando está ganhando dinheiro especulativamente? Onde estavam o governo e a grande mídia que deveriam estar investigando?
O Estado virou mercado e o mercado, Estado. Washington, agora, com a intervenção no sistema financeiro e instauração da estatização bancária, tenta colocar ordem no bordéu.
Novo momento capitalista
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Se o mercado falhou, a estatização bancária atuaria em obediência ao mercado que faliu? Seria optar, de novo, pela falância, que bateu às portas e exigiu a estatização. Levaria à completa desmoralização o acordo de Bretton Woods e sinalizaria o dobrado de finados do dólar.
A estatização bancária representa tentativa salvacionista do dólar para evitar que emerja, precipitadamente, novo modelo monetário no qual a participação dos Estados Unidos se faria em proporções humilhantes para Tio Sam?
O jogo está sendo jogado, imperialmente, no compasso da derrocada neoliberal, como alternativa americana de continuar sendo responsável por dar as cartas no cenário econômico global.
Imaginem o que diria o Estadão, a Folha e o O Globo, se Lula desse uma de W. Bush. Pediriam para acelerar o envio da Quarta Frota Naval e a Força Área de Tio Sam.
Foi colocado ponto final no laxismo financeiro especulativo que engordou a banca de forma excessiva e explosiva, como se vê no resultado desastroso da crise imobiliária, espalhando inflação planetária? Ou o capitalismo tornou-se aceleradamente destrutivo, como destaca o economista canadense Naomi Klein, em "Capitalismo do desastre"?
O presidente W. Bush, acossado, rasgou o discurso neoliberal, que pregava para os outros, e foi além de Keynes, convocando Lênin para assessorá-lo como salvador do capitalismo americano.
Assumiu, olimpicamente, o papagaio financeiro correspondente a quase 40% do PIB dos Estados Unidos e a cinco vezes o PIB brasileiro.
Maior sapão inflacionário da história capitalista. A sucuri vai ficar cheia por uns tempos, digerindo o bicho, sonada, lerda, exposta aos credores e aos concorrentes.
Os Estados Unidos seriam a nova Roma em decadência, como disse o sociólogo italiano, Domenico de Masi, em sensacional entrevista a Roberto D'Avila, em Conexão internacional?

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