Especialista em biossegurança diz que a lei é boa, mas o país está atrasado
Da Redação
Em torno de 50% da safra de soja no Estado de Minas Gerais é transgênica. A informação, pouco ou nada familiar ao consumidor, é do pesquisador da área de soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Neylson Arantes.
Apesar de a lei de biossegurança existir há 12 anos, os transgênicos ainda dividem a opinião de especialistas e sociedade: os que são a favor acreditam que os alimentos geneticamente modificados são um avanço necessário em um contexto de produção insuficiente e demanda mundial por alimentos crescente.. De outro lado, os contrários à tecnologia defendem que os produtos representam uma ameaça à saúde humana e que não existem estudos que comprovam a total confiabilidade.
Independentemente dos posicionamentos, o fato é que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberou na última semana mais quatro tipos de transgênicos: dois de milho, um de algodão e uma vacina animal. O pesquisador e vice-presidente da CTNBio, Edilson Paiva, esteve na reunião e avalia a situação atual do Brasil. "A legislação de biossegurança no Brasil foi muito boa no sentido cientifico, mas um caos no sentido político, as pessoas não sabem o que está acontecendo" . Paiva acredita que o Brasil ainda está muito atrasado.
Segundo ele, as culturas aprovadas agora já são consideradas antigas nos Estados Unidos.
Com a liberação recente, o Brasil passa a contar com nove culturas transgênicas e três vacinas animais. Para os pesquisadores, o desenrolar dos processos ainda é demorado e burocrático, mas vem avançando ao longo dos últimos anos.
"A legislação brasileira permite pesquisas em condições especiais, mas o processo é muito burocrático, principalmente para pesquisa em campo. As pessoas questionam a segurança desses produtos. O custo para testar um novo transgênico é de mais de US$ 1,5 milhão, o rigor é muito alto", afirma Arantes, da Embrapa.
As pesquisas são feitas no Triângulo Mineiro e, segundo o pesquisador, a variedade transgênica chamada "Valiosa" é a mais vendida no centro do país. O produto foi desenvolvido pela Empresa Mineira de Pesquisa Agropecuária (Epamig).
"Corrida trans" ganhou força de 2007 para cá
Os processos de liberação de organismos geneticamente modificados na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) vêm ganhando agilidade do ano passado para cá, para alegria dos pesquisadores e tristeza dos ambientalistas. Dos nove tipos de produtos agrícolas aprovados até hoje, sete foram liberados de 2007 para cá.
O primeiro transgênico a ser aprovado no Brasil foi a soja RR, em 1998. A liberação seguinte só ocorreu em 2002, para o algodão Bollgard. "Agora conseguimos liberar três transgênicos agrícolas e uma vacina em uma única reunião", comemora o vice-presidente da CTNBio, Edilson Paiva. "Ainda há muito o que fazer, mas considero que foi um avanço", completa.
Segundo ele, existem outros seis aguardando liberação. Após a aprovação técnica, passam pela regulamentação na Lei de Sementes. Para chegarem ao mercado, levam cerca de dois anos.
Fonte: Jornal o tempo
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