REFLEXÕES DO COMPANHEIRO FIDEL, 27 de setembro, de 2008
O socialismo democrático
Não desejava escrever uma terceira reflexão consecutiva, mas não a posso deixar para a segunda-feira.
O "capitalismo democrático" de Bush tem uma resposta exata: o socialismo democrático de Chávez. Não haveria forma mais precisa de expressar a grande contradição entre o Norte e o Sul de nosso hemisfério, entre as idéias de Bolívar e as de Monroe.
O grande mérito de Bolívar é tê-lo proposto quando não existiam os meios modernos de comunicação e nem sequer o Canal do Panamá. Também não existia o imperialismo dos Estados Unidos; eram simplesmente as Treze Colônias de fala inglesa que, unidas, proclamaram sua independência em 1776 com a ajuda da França e Espanha.
Como se fosse capaz de ver através dos séculos, O Libertador proclamou em 1829: "Os Estados Unidos parecem destinados pela Providência para infestar a América de misérias em nome da liberdade."
Hugo Chávez é um soldado venezuelano em cuja mente germinaram de modo natural as idéias de Bolívar. Basta observar como transitou seu pensamento por diversas etapas do desenvolvimento político a partir da origem humilde, da escola, da academia militar, da leitura da história, da realidade de seu país e da humilhante presença do domínio ianque.
Não era general nem tinha a suas ordens os institutos armados; não deu nem podia dar um golpe, não queria nem podia esperar. Rebelou-se, assumiu a responsabilidade pelos fatos, converteu a prisão em escola, ganhou ao povo e o conquistou para sua causa de fora do poder; ganhou as eleições através de uma Constituição burguesa, jurou sobre o moribundo documento uma nova lei de leis, chocou com idéias pré-concebidas de esquerda e direita e iniciou a Revolução Bolivariana nas mais difíceis condições subjetivas de toda a América Latina.
Durante dez anos, desde a Presidência de seu país, Chávez não deixou de semear idéias incessantemente dentro e fora de sua Pátria.
Nenhuma pessoa honesta pode duvidar de que na Venezuela há uma verdadeira revolução em marcha, e que ali se desenvolve uma excepcional luta contra o imperialismo.
Deve-se assinalar que Chávez não descansa um minuto, luta dentro da Venezuela e ao mesmo tempo viaja sistematicamente às capitais de países da América Latina e das nações importantes da Europa, Ásia e África. Comunica-se hora a hora com a imprensa nacional e internacional, não teme abordar qualquer tema, é escutado com respeito pelos principais líderes do mundo, faz uso correto e eficaz do poder real de sua Pátria como país que possui as maiores reservas de petróleo existentes do mundo, unido à existência de abundante gás, e elabora um programa nacional e internacionalista que não tem precedentes.
Quando assina um acordo de associação entre Gazprom da Rússia e PDVSA da Venezuela para a busca e exploração de hidrocarbonetos, está criando um consórcio nesse campo que não existe no mundo. Sua associação econômica com a China, Rússia, países da Europa e outros com recursos abundantes da América Latina e África, desata forças libertadoras para abrir passo a um mundo multipolar. Não exclui aos Estados Unidos do fornecimento de energia e do intercâmbio comercial. É uma concepção objetiva e equilibrada.
Propõe para sua própria Pátria uma revolução socialista, sem excluir importantes fatores produtivos.
Para nossa Pátria, num momento histórico em que foi devastada pela natureza e os embates criminosos do decadente império, constitui um verdadeiro privilégio contar com a solidariedade de Chávez. Jamais se escutou uma frase tão internacionalista e solidária como a que dirigiu ao nosso povo: "A terra da Venezuela é também sua terra!"
O imperialismo trata de liquidá-lo politicamente ou eliminá-lo a qualquer preço, sem pensar que sua morte constituiria uma catástrofe para a Venezuela e para a economia e a estabilidade de todos os governos da América Latina e do Caribe.
Minhas conversas com ele se caracterizam pelo ponto de vista que sustento de que neste instante o mais importante é salvar a Venezuela da investida política do governo dos Estados Unidos. Durante sua última visita discutimos sobre a magnitude do apoio que já nos dá e o que deseja nos dar, e nossa sugestão de que concentre o máximo de recursos possível na batalha interna que hoje livra contra a ofensiva midiática e os reflexos condicionados semeados durante muitos anos pelo imperialismo.
A partir agora até 23 de novembro a batalha que se livra é de grande transcendência, e não desejamos que o apoio a Cuba seja tomado como pretexto para golpear a Revolução Bolivariana.
Os 92 operários da construção venezuelanos integrantes das Brigadas Socialistas de Trabalho Voluntário, enviados para construir moradias em Piñar del Río, constituem todo um símbolo de nossa época.
Vivem-se instantes de muita importância. A consulta popular para aprovar a nova Constituição no Equador depois de amanhã tem grande transcendência. Chávez se reunirá na segunda-feira no Brasil com o presidente Lula. Esta noite há um debate televisado entre Obama-McCain. Todas são notícias importantes.
Por isso não quero deixar para segunda-feira estas linhas, já que Chávez, amanhã, sábado, estará de volta a sua Pátria e falando de novo ao seu povo no domingo. Ele sempre utiliza algo destas reflexões em sua batalha.
Fidel Castro Ruz
26 de Setembro de 2008
5 e 56 p.m.
Este texto encontra-se em: www.patrialatina. com.br e www.noticiasdabahia .com.br
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