Viçosa se mobiliza em Assembléia Popular
As cadeiras abriram espaço para a roda. Eram sessenta e cinco moradores que mostravam a indignação frente aos absurdos preços cobrados em suas contas de luz. No espaço da Assembléia Popular de Nova Viçosa, bairro da cidade de Viçosa, na Zona da Mata mineira, juntavam-se os homens e mulheres desejosos da efetivação de um direito – a tarifa social da energia elétrica.
Durante esse semestre, foram realizadas reuniões que discutiram sobre o modelo energético brasileiro e a campanha nacional “O preço da luz é um roubo”. A indignação aparecia nas falas que lembravam que, enquanto os trabalhadores estavam pagando 68 reais a cada 100kw consumido, grandes empresas, como a Vale, pagam apenas 3,30 reais.
Nos mutirões de coleta, o bairro recolheu cerca de duzentas e oitenta auto-declaraçõ es. Neste último domingo, dia 16 de novembro, decidiram sobre a entrega coletiva a se realizar na CEMIG – Companhia Energética de Minas Gerais – e continuaram com o preenchimento de declarações dos que ainda não haviam realizado.
A história que fica foi contada por um jovem e acolhida pelos demais. Dizia ele que um graveto sozinho era facilmente quebrado ao meio. Mas se empilhados, juntos, não haveria força capaz de rompê-los.
Assembléia Popular em Viçosa
A construção da Assembléia Popular de Viçosa começou após a participação de estudantes na jornada de luta contra as transnacionais, em junho deste ano. No retorno à cidade, os estudantes iniciaram o processo de organização, visualizando a campanha do preço da energia no bairro de Nova Viçosa.
No primeiro momento, reuniram-se movimentos sociais e moradores do bairro para um espaço de formação sobre a Assembléia Popular. O número de moradores era tímido, mas com o decorrer das ações foi aumentando a participação.
Em um domingo de chuva, quinze dias depois da primeira reunião, já haviam mais de trinta pessoas do bairro, agora para discussão da tarifa social e modelo energético brasileiro. Dali saíram grupos responsáveis em coletar as auto-declaraçõ es.
Os mutirões de trabalho de base passaram em escolas, igrejas, grupos de jovens e nas casas do bairro, resultando em mais um encontro da Assembléia Popular, agora com sessenta e cinco moradores, no intuito de concretizar a luta pela redução da tarifa de energia.

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