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sábado, 1 de agosto de 2009

Honduras e a ALBA Golpeada






Este pequeno país centro americano que tem um território de 112.088 km, banhado pelos oceanos pacifico e atlântico e que faz fronteira com os países El Salvador, Guatemala e Nicarágua. Com uma população de pouco mais de 7,6 milhões de habitantes, cerca de 60% da população encontra-se na zona rural e dessa porcentagem a maioria é produtora de café, banana e camarão, para exportação, contribuindo com aproximadamente 13% do PIB nacional, que gira em torno de uns 30.651 milhões de dólares.

Alguns dados:


1.

Honduras, desde os anos 80 tem sido transformada numa base norte Americana, a princípio para combater as guerrilhas principalmente a Salvadorenhas – FMLN e Nicaragüense – FSLN. O Exército hondurenho é treinado e preparado pelos Estados Unidos, para defender a exploração capitalista norte americana, transformando político e culturalmente este país em um território submisso à estratégia imperialista. Honduras tem sido um quintal dos EUA, inclusive para descarte de mercadorias que já não são mais utilizadas pelos habitantes, como roupas, tênis, carros, pneus, eletroeletrônico etc;


2.

A política de arrocho e de implantação profunda do neoliberalismo nas décadas de 80/90 tem levado o povo a se rebelar contra a política de escravidão em benefício de um pequeno grupo de empresários nacionais e empresas transnacionais, que aqui explora toda uma população e um território. As mineradoras que atuam aqui, na exploração dos recursos naturais, como o ouro que tem neste solo, arrancando pedaços das terras hondurenhas para levar para os EUA e Europa. As transnacionais lideradas principalmente por grupos norte americanos e turcos não pagam impostos. Os serviços básicos e essenciais e quase tudo no país foi privatizado;


3.

A sociedade hondurenha é muito religiosa e conservadora tem demonstrado que é possível lutar contra um inimigo tão grande e poderoso como são as oligarquias locais, mesmo que o inimigo externo seja o império norte americano, uma espécie de protetor do estado burguês hondurenho; isso se reflete na população em geral e alguns dirigentes políticos que crêem que os EUA podem resolver este problema do golpe que estão vivendo agora. Está clara aqui a existência de uma sociedade escravocrata e dependente culturalmente da coroa imperialista;


4.

A frente de resistência tem rompido essa submissão ao tutor, mais ainda é um rompimento mais da direção política do que das grandes massas mobilizadas;


5.

Estava muito claro para todos que as novas políticas implementadas por Manuel Zelaya, em beneficio da maioria e o avanço dos países da Aliança Bolivariana era uma ameaça as velhas oligarquias e a política de exploração Norte America, que tem no pentágono o instrumento da política de domínio do território Centro Americano para manutenção da vida altamente consumidora dos norte americanos;


Os Sete pecados que Zelaya “cometeu”:

1.

Levar Honduras a participar do bloco da ALBA, coisa que nunca seria possível para este país com as oligarquias dominantes e subordinadas aos interesses dos EUA;
2.

Levar máquinas agrícolas com investimento da ALBA para os campesinos;
3.

Melhorar o sistema de saúde com as operações de cataratas;
4.

Prepara um programa de alfabetização com o “sim eu posso”;
5.

Aumentar o salário mínimo de 3 mil para mais de 5 mil (em torno de 250 dólares);
6.

Começar cobrar impostos das oligarquias e multinacionais;
7.

Fazer uma consulta popular em favor da reforma da constituição.


Todas essas ações que estavam beneficiando o povo e criando uma massa crítica era impossível para Honduras, porque ameaçava o poder das oligarquias e diminuía a exploração e ao mesmo tempo é impossível que os EUA permitam este avanço da ALBA nesta conjuntura de escassez de recursos naturais e matéria prima dentro dos Estados Unidos. A ALBA é uma ameaça a toda esta política de dominação capitalista, mesmo que ainda pequena, mas que vai crescendo.

Estamos vivendo uma verdadeira Guerra Fria praticada pelos EUA contra os países da ALBA, e esse golpe de estado aqui em Honduras é muito claro para todos que tratasse de um golpe contra a ALBA, contra o povo hondurenho e que pode se espalhar por todo nosso continente, principalmente Nicarágua, Venezuela, Bolívia, Equador e indiretamente neste momento com o Paraguai. Já em Cuba o ataque será justamente debilitar o bloco ALBA, principalmente a Venezuela para atingir a ilha diretamente com os investimentos da Aliança Bolivariana na ilha.


A situação atual:


Os golpistas estão muito firmes nas suas posições neste tabuleiro de xadrez, onde nós estamos jogando sempre em xeque, na defensiva, apesar de várias mobilizações e ações contundentes que foram realizadas. O Zelaya precisa tomar decisões mais firmes e não anunciar tudo que pretende fazer, pois a condução golpista vem avançando mais rápido que a resistência, a estratégia que eles têm de ir ganhando tempo e ir cansando as mobilizações tem surtido efeito e o movimento de resistência passa a ter que adotar novas estratégias sob o risco de ficar nas ações sem vitorias concretas para o conjunto das forças.


A força e Estratégia golpista:


1.

Não permitir a entrada do Zelaya e nisso eles estão conseguindo, para evitar uma grande mobilização em todo o país, eles sabem que se deixar passar será difícil para eles;
2.

Tem todos os poderes ao seu lado, Forças Armadas, Suprema Corte e o Parlamento e ainda controla os meios de comunicação;
3.

Tem apoio dos empresários que financiam as marchas da “paz e da democracia”;
4.

Controla a Polícia Nacional e o Exército. Nesta ultima semana a resistência começou a sentir na pele com as mortes e prisões. O comando da polícia mudou, e agora quem comanda é Vile Roy, velho conhecido dos anos 80 que criou o esquadrão da morte para matar e torturar o povo hondurenho. A Polícia tem atuado com muito mais firmeza e violência nestes últimos dias, o comandante das Forças Armadas Romeo Velásquez já afirma em jornais que não deseja a violência, mais que poderá haver mortes;
5.

O estado de sitio na região da fronteira com Nicarágua atinge quatro Estados: El Paraiso, Chuluteca, Francisco Morazan e Valle; os demais Estados tem os toques de recolher que começam as 11 da noite até as 6 da manha;
6.

Mobilização dos “camisas brancas” pela paz e pela democracia, tanto aqui como também internacionalmente, como a que ocorreu ontem na casa branca - EUA.


FORÇA E ESTRATÉGIA DA RESISTÊNCIA:


1.

Pela primeira vez o povo tem dito que já se perdeu o medo de lutar e por isso estão se mobilizando todos os dias e com isso permitiu que as forças sociais organizadas como a Via Campesina, o Bloque Popular, o Movimento indígena e negro, construir uma frente nacional de resistência contra o golpe;
2.

São 30 dias de mobilizações, com o enfoque pacífico sem armas, com isso tem ganhado mais apoio da sociedade, apesar do cansaço que já começa a bater na porta;
3.

Tem a clareza, apesar de terem um pré candidato a presidência, Carlos Reys, do bloco popular, que as eleições agora não se discutem, que a luta é o resgate da institucionalidade e contra o golpe;
4.

Manter as mobilizações em todos os países e que cada organização possa organizar suas frentes de resistência;
5.

Manter ações mais contundentes a partir da quinta-feira até domingo, com paralisação geral e nacional;
6.

Sufocar a economia para dar prejuízos aos empresários golpistas, com o trancamento das rodovias e comércios grandes, como os shoppings de Tegucigalpa;
7.

Atuar com as comitivas de DH para fazer as denuncias de violação dos direitos humanos que estão acontecendo;
8.

Construir desde fora mobilizações em solidariedade, com a resistência contra o golpe, principalmente nos EUA e no Brasil que podem jogar um papel mais forte nas instituições internacionais.


CONCLUSÃO


Por aqui sinto que estamos vivendo um momento de cansaço, mas logo vem à retomada da energia das massas, com cada ação covarde que tem feito esse governo golpista, a cada 6 horas da tarde o povo se revolta ainda mais com o goriletti que em cadeia nacional todos os dias, decreta o toque de recolher, e também com a Policia que está atuando com mais inteligência, infiltrando gente nas mobilizações, cada vez que se identifica um policial a paisana dentro das mobilizações é um turbilhão de violência, a situação da região da fronteira tem revoltado varias categorias, médicos, advogados reservistas, ou seja, muitos não aceitam nem concordam com as medidas dos golpistas.

Falta uma mística ou um trabalho de base nos bairros, na área rural para fazer desde Honduras uma verdadeira escola de formação na luta cotidiana, creio que com a marcha campesina que esta sendo construída a coisa poderá dar um novo gás, todos aqui têm medo dos campesinos mobilizados, chegou à hora de demonstrar força política e organizativa dos campesinos para construir o caminho da vitoria.



Alexandre Conceição

MST – Brasil

Honduras, 29 de julho de 2009

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