A economia brasileira está fortemente concentrada em poucos municípios do país, sendo especialmente acentuada na Região Sudeste.
A reportagem é de Patrícia Duarte e publicada pelo jornal O Globo, 13-08-2010.
Estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que apenas 56 cidades do Brasil — que formam o grupo do 1% mais rico — detêm 47% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) brasileiro. Na ponta contrária, as 40% mais pobres, ou 2.226 municípios, ficam com apenas 4,7% das riquezas.
Na década de 1920, início da série produzida pelo Ipea e que vai até 2007, os municípios que formavam o grupo 1% mais rico produziam 21% das riquezas geradas pelo país, enquanto as cidades que, juntas, eram as 40% mais pobres respondiam por 9,4% do PIB nacional.
— A estrutura produtiva e ocupacional do Brasil está fortemente concentrada. E isso mostra problemas de escala, de custo e de transporte. A saída é aprofundar investimentos públicos e privados, sobretudo em infraestrutura, aliados a políticas de descentralização — afirmou o presidente do Ipea, Márcio Pochmann.
Concentração alta e estável desde a década de 1970
Com base nos números, o Ipea calculou o nível de desigualdade na distribuição da riqueza entre os municípios, um paralelo ao Índice de Gini, que mostra a concentração de renda entre a população.
No indicador de riquezas entre cidades, desde a década de 1970 o patamar tem se mantido em níveis elevados, de 0,86, na média. Pochmann explicou que o índice varia de zero a 1 e, quanto mais próximo do teto, maior é o grau de desigualdade. Já o Índice de Gini, referente à desigualdade de renda entre as pessoas, no mesmo período, apresentou melhoras: passou de 0,49 na década de 1970 para 0,42 em 2007.
A Região Sudeste é onde a concentração de riquezas entre os municípios é maior, com 0,89, enquanto a Região Sul fica na ponta oposta, com 0,79. No período de estabilidade econômica, que o Ipea considerou de 1996 a 2007, o indicador de concentração do PIB nos municípios recuou mais no Acre, que passou de 0,76 para 0,65, provavelmente devido ao impulso econômico dado no período para desenvolver as diferentes regiões do estado.
No Rio, desigualdade é muito elevada, diz estudo
Na ponta oposta, apenas Espírito Santo e Mato Grosso do Sul elevaram seus indicadores, mostrando mais concentração. O Rio de Janeiro, no período, viu seu indicador recuar 5,8%, de 0,90 para 0,85, comportamento que ainda deixa a desejar na visão do Ipea, por ainda representar riqueza bastante concentrada.
Pochmann acrescentou ainda que, a partir de 2007, há chances de o índice de concentração das riquezas estaduais ter caído um pouco, sobretudo por causa dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que hoje estariam mais maduros e espalhados pelo país.
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Postado por Pedro Otoni no Agência de Notícias Brigadista em 8/15/2010 07:11:00 AM
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