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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ex-diretor da CIA defende Julian Assange e afirma que mídia deveria seguir seu exemplo

Raymond McGovern, ex-diretor da CIA, repudiou a prisão de Julian Assange e demais perseguições ao editor de WikiLeaks, Julian Assange, em entrevista concedida no dia 12 de dezembro de 2010, que transcrevemos abaixo. Durante a entrevista, McGovern diz ao seu entervistador da CNN: - Vocês deveriam seguir seu exemplo.
O diretor da CIA atuou fornecendo informes diretos aos presidentes Reagan e Bush (pai).
McGovern condenou o ataque ao Iraque, denunciando que Bush (filho) e Rumsfeld justificaram o mesmo com base em informações falsas.
CNN - Por que você acha que Assange fez o certo ao liberar todos estes documentos?
Ray McGovern - Sobre a questão se ele é jornalista ou não, a prova está em sua obra.
Assange é um jornalista se entendermos que estes são os que registram os atos dos agentes do poder e os tornam públicos, de modo a que, os governados possam estar informados do que está acontecendo.
Thomas Jefferson destaca que entre uma imprensa livre e o governo deve-se escolher a primeira. Em síntese, isto é o que é necessário para a preservação da democracia e a idéia é de que a imprensa se mantenha o mais próximo da verdade quanto possível e não apenas anotar o que o governo está dizendo. Isto foi o que WikiLeaks fez, para embaraço do governo, porque muitos dos acordos governamentais são mantidos em segredo, e não precisam ser.
CNN - Então você não gosta do rótulo de terrorista ou de hacker como o denominaram? Então ele é um jornalista?
R. M. - Claro que ele é um jornalista, de acordo com as definições que acabo de listar acima. Ele tornou as informações accessíveis ao povo norte-americano e outros que são muito mal alimentados pela mídia colaboradora, com seus repórteres que atuam mais como estenógrafos do que como jornalistas.
CNN - Você não acha que devia ter havido mais cuidado ao divulgar informações que colocam pessoas em perigo e que Assange não tomou esses cuidados?
R. M. - Assange forneceu todos os documentos ao Pentágono e ao Departamento de Estado, solicitando a eliminação de referências que pudessem prejudicar pessoas concretas - o pedido de exame redacional foi recusado e agora se apregoa que “vidas foram colocadas em perigo”. As únicas vidas colocadas em perigo são os soldados das tropas que foram enviadas ao Iraque e Afeganistão, sob falsos pretextos.
O secretário de Defesa, Robert Gates, informou que esta questão de “vidas colocadas em perigo” está muito exagerada. São suas palavras. Ele acrescentou que “até o momento nenhuma fonte foi comprometida”. O comandante das tropas dos EUA no Afeganistão informou que ninguém foi identificado, teve sua vida colocada em perigo ou, menos ainda, foi detido por estes documentos. Isso não impede que alguns digam isso dez vezes ao dia. Mas dizer isso dez vezes ao dia não o torna verdadeiro.
CNN-Você acha que nós jornalistas devíamos estar elogiando e valorizando sua atitude?
R. M. - Com todo o respeito, vocês deveriam estar seguindo o seu exemplo. Desvendar segredos, descobrir por que meu dinheiro de contribuinte vai para financiar o tráfico de jovens garotos para dançar com roupas de mulher para as forças de segurança do Afeganistão, que nós recrutamos para tomar conta do país depois de o deixarmos. Dêem uma olhada nos documentos e vejam as horrendas atividades que o nosso governo tem endossado, ou os seus contratados, e depois me digam se os norte-americanos não podem conviver com estes documentos. Eu acho que podem sim, mas não o podem se não tiverem acesso a eles.

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