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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Governo Dilma enterra projeto de regulação da mídia

Colegas de profissão e de militância longa e árdua em favor da efetiva democratização e da universalização dos Meios de Comunicação no Brasil. Algumas declarações públicas do novo ministro e outros tantos rumores difundidos pelos “donos da mídia” tem provocado, mais uma vez, um gosto muito amargo em minha boca.
Afinal, assistimos muito recentemente um embate eleitoral com temas quase medievais, que foram sustentados majoritariamente por segmentos sociais retrógrados, e repercutidos e amplificados sistematicamente pelos meios, que são concessionários ou beneficiários de patrocínio do Estado.  Afinal, o Brasil de hoje é um país paradoxal: democratizou significativamente nos últimos 30 anos o sistema e a cultura política, enquanto manteve os meios de comunicação como depositários e incentivadores da tradição autoritária, anti-povo e anti-nação, que produziu durante os 120 anos de República, quase duas dezenas de golpes e quarteladas militares e incontáveis ações repressivas brutais, que prosseguem sempre justificadas e impunes.
É preciso lembrar, mais uma vez, aos membros do novo governo, que regulação democrática dos meios de comunicação não é apenas programa de mandato, deve ser Política de Estado, para assegurar o Direito e as condições para construir a Cidadania e para aperfeiçoar e manter a Democracia.
Urge desengavetar a pauta pública produzida pelas Conferências Regionais e Nacional de Comunicação. Que tal utilizar o parrudo calhamaço para bater firme na porta do desavisado ministro?
 Afinal, eu ando cansado de defender certos políticos que pensam que o poder é um violino: é sempre conquistado com a luta da esquerda e depois tocado integralmente com a direita. Incrível como os próceres petistas seguem cortejando os setores oligárquicos, mesmo que a mídia das oligarquias esteja sempre disposta a meter-lhes o pé nos fundilhos sem dó e piedade.  
 Dino Magnoni




Estado de SP, 07 de janeiro de 2011 | 19h 04

Governo Dilma enterra projeto de regulação da mídia

 

Após encontro com a presidente, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que há outras prioridades para serem tocadas

Leonêncio Nossa e Lisandra Paraguassú - Agência Estado

O governo enterrou o projeto de regulação da mídia elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins. Após encontro com a presidente Dilma Rousseff no Planalto, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse em tom diplomático e político que há outras prioridades para serem tocadas, como o projeto de banda larga, que pretende apresentar até o final de abril. "A banda larga vai ter prioridade e premência porque vamos discutir também o plano geral de metas de universalização", afirmou.
Pela tradição de Brasília, um governo "enterra" um projeto quando não estipula prazo para envio ao Congresso nem classifica a proposta como prioridade na agenda, observam assessores. Na entrevista, Paulo Bernardo disse que é preciso um "exame detalhado" do projeto para a possibilidade de abrir uma discussão ainda no âmbito do governo.
Ele relatou que recebeu nesta semana de ex-assessores de Franklin Martins a proposta. "Preciso olhar, fazer um exame detalhado da matéria", disse. "Certamente vamos ter que olhar cada ponto. Todos sabem que tem discussões de caráter econômico, regulação entre setores, disputas", justificou. "Tem discussões relativas aos direitos dos usuários, tem questões que dizem respeito à própria democracia. Vamos examinar tudo e ver como vamos encaminhar."



Tópicos: Governo, Mídia, Regulação, Paulo Bernardo, Franklin Martins, Nacional, Política


Atualização do marco das comunicações é citada, mas não aparece entre as prioridades do novo Minicom

A proposta de Lei de Comunicação Eletrônica aparece nos discursos, é um tema referente nas entrevistas do novo ministro das Comunicações Paulo Bernardo, mas ainda não ganhou o status de prioridade da pasta. Segundo Paulo Bernardo, ele ainda não teve oportunidade de ler o anteprojeto que estava sendo elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação do governo Lula, e seria deixado para a sua gestão. “Na semana passada conversei com o ex-ministro Franklin sobre isso e ele quis me entregar o anteprojeto, mas pedi para que só me fosse enviado depois que eu chegasse aqui (no Minicom). Estava em processo de mudança naquela semana”, disse Paulo Bernardo em entrevista coletiva. Segundo o ministro, o texto deve ter chegado nesta segunda, dia 3, ao seu gabinete, mas ainda não há uma agenda de discussão nem possíveis datas para publicação de uma consulta pública. Perguntado se esse era um tema colocado pela presidente Dilma como prioridade, Bernardo repetiu apenas que ainda não há um cronograma definido. Ele disse durante a entrevista coletiva que já participou de algumas reuniões sobre o tema e que é um assunto “delicado, que envolve aspectos econômicos, o usuário e a questão da democracia, que sempre repercute de maneira torta”. Segundo o ministro, existe a possibilidade de se criar uma única agência para as comunicações, ou tratar o assunto em duas agências distintas. “A maior parte das opiniões é por duas agências, mas eu não tenho posição formada sobre isso”.

Mesmo que não haja ainda um cronograma definido, o tema foi citado pelo ministro na segunda metade de seu discurso de posse. Ele disse que não se pode “omitir a necessidade de atualizar o marco regulatório das comunicações”, que precisa ser modernizado e regulado “conforme prevê a Constituição”, mas ressaltou que em nenhum momento se fala ou pensa em algo que implique “desrespeitar a liberdade de expressão”.

Samuel Possebon, Teletime

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