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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Temo pela contaminação do Ministro

   Há alguns dias escrevi após a entrevista do Sr. Ministro das Comunicações Paulo Bernardo, preocupado com a citação de que a posição do Ministério era de manter a política repressiva e o combate à publicidade e aumento de potência nas Rádios Comunitárias. Me indignei por que esperava que o Ministro anunciasse o financiamento público e disposição de resolver os problemas criados pelo próprio ministério, com assessoria histórica da ABERT e que dizimou organizações comunitárias, gerou milhares de criminalizados e impediu que até agora o sistema se consolidasse.

           Hoje as notícias do planalto não são as melhores. Além do ministério não ter enviado representação ao maior congresso da radiodifusão comunitária, nos dias 20 e 21, (o Secretário Executivo do Ministério sim, foi reunir com coordenação nacional da ABRAÇO, mas isso só ocorreu porque delegados ao Congresso da ABRAÇO ocuparam o saguão do MINICOM em Brasília e só se retiraram de lá ao garantir esta ida do Secretário Executivo) hoje o Sr Ministro recebe a ABERT, para  “apresentarem a estrutura da radiodifusão no país e cobrar, entre outras coisas, maior controle sobre as rádios comunitárias.”

       A ABERT se transformou em escola para formação de Ministros?
       Os ditos defensores da liberdade de expressão, imprensa e até de mercado querem “controlar as rádios comunitárias”? é isso?

       As perguntas só aumentam somadas as que fiz em texto anterior. E sinceramente não encontrei respostas.


      A firmeza para se garantir de fato uma democratização da comunicação terá que compor nossos debates reais. O combate a radio comunitária é exatamente por conta de seu potencial na comunicação pública, por representar um modelo, uma tese, uma concepção.

      É a gestão pública dos meios que está em jogo e é por isso que a ABERT combate tanto. Na verdade está aí a situação que mais organiza a ação da ABERT: combater rádio comunitária. Sempre fizeram, financiam as viaturas da ANATEL, pagam diárias a seus fiscais, são a consultoria dos municípios impedindo o financiamento das rádios, degravam a programação das comunitárias e no sul o Presidente da ABERT no Rio Grande do Sul coloca transmissor para impedir o sinal das comunitárias na sua cidade. A ABERT tem mais fiscais que o MINICOM. Bancas e Bancas de advogados nas suas estruturas, encarnados na criminalização das comunidades. Pra não falar de sua enorme bancada no congresso nacional.

      A ABERT cumpre o papel mais fundamental na articulação para manutenção dos interesses do monopólio. Que agora também tem que competir com o capital externo, que eles tanto defenderam quando privatizaram tudo, que vai engolir a todos e terão que disputar uma sociedade que quer controle social sobre os meios.

Tomara que o Ministro Paulo Bernardo e o Sr Secretário Executivo tenham tomado vacina, pois temo por sua contaminação por ABERTiti.



Abaixo matéria publicada no site do FNDC





Abert quer maior organização das rádios comunitárias
25/01/2011 |
Lúcia Berbert
Tele Síntese
Presidente da entidade também reclamou do conteúdo estrangeiro que está entrando no país por meio das teles
A diretoria da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) participou nesta terça-feira (25) de encontro com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, para apresentar as reivindicações do setor. Entre elas, um controle maior das rádios comunitárias, que têm obtido maior atenção do novo governo. “Nós não somos contra as emissoras comunitárias, só queremos mais organização”, disse o presidente da entidade, Emanuel Carneiro, na saída do encontro.
Carneiro contou que foi uma reunião de cortesia onde a Abert apresentou a estrutura da radiodifusão no país. Ele assegurou que a questão da transferência do poder de fiscalização, inclusive de conteúdo, que Bernardo já anunciou que transferirá para a Anatel, não foi discutida.
“Não somos contra a fiscalização, mas nos preocupamos com o conteúdo estrangeiro que está entrando por meio as empresas de telefonia, sem controle”, disse Carneiro. Porém, disse que não reivindicou que a fiscalização continuasse no Minicom. “Não é o nosso papel”, disse.
Além do ministro, participaram da reunião com a diretoria da Abert o secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica, Genildo Albuquerque, o o secretário-executivo do ministério, Cezar Alvarez.

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