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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Gentes de todas as redes sociais, levantem-se!


“Nós precisamos libertar a mídia – e vamos fazê-lo.” Amy Goodman

SÁBADO, 11 DE FEVEREIRO DE 2012

Gentes de todas as redes sociais, levantem-se!

Foto:  Manifestantes em Paris em apoio a Pedro Rios. Correio do Brasil

Gentes de todas as redes sociais, levantem-se!

Não é irônico que é desde o "berço da democracia" que um exemplo de indignação vem das ruas, dos cidadãos, enquanto que é da Europa saqueadora do resto do mundo, dessa mesma que roubou e exauriu quase tudo mundo afora em séculos e séculos, que vem a “quebradeira” promovida pela classe mandona ladrona?

Pensando bem, não é que o "Pinheirinho" é ali na Grécia também, acolá nos EUA se segurando aos trancos e barrancos e, na Europa morrendo e, aqui no Brasil varonil dos partidos que se juntam para promover a matança organizada na forma de estado democrático e de direito? E, não “somos todos Pinheirinho” os que apanhamos de quem quer que se ache em pé numa caixa de fósforo mandando a torto e à direito? Não somos todos Pinheirinho ou gregos, ou revoltosos os que nos encontramos entre aqueles que o sistema em falência arrasta para fora de nossas pobres casas até às margens da vida com dignidade?

O que se passa no mundo que não sejam apenas as tolices de notícias cor de rosa que enchem nossos aparatos tecnológicos, que mal damos conta de comprar a versão mais moderninha, ou pagar a conta absurda pelo serviço mal prestado dessas companhias todas? É possível perceber no meio do discurso alienante das mídias ao menos um pingo no “i” que nos co-mova à indignação e à contra-armação ao que está posto pelas notícias?


Ou, daqui a pouco vamos assistir ao vivo, e a cores por todos os meios de (in)comunicação, a agonia e morte do jornalista Pedro Rios - algemado e de espírito desatado em frente à TV Globo - como se fosse uma novela campeã de audiência, ou algo que acontecesse lá longe no raio que o parta, e não fosse aqui bem debaixo de nossos narizes? Nossos narizes de consumoexpectadores, de pessoas que contemplam as vitrines de liquidação em shoppings com a mesma desenvoltura de quem come pipoca com guaraná em frente às telas de TV no horário nobre.

Aparentemente, nesse Velho Novo Mundo que já morreu e se esqueceu de cair, com algumas de suas histórias acontecendo ao mesmo tempo mal percebemos que nossa omissão frente às cenas da vida real, mal retratadas ou dissimuladas pelos meios, nos torna cúmplices dessa matança generalizada. Entretanto, creio que há mais esperteza no ar do que supõe a endeusada vã filosofia das redes de televisão e de notícias que insistem em vidiotizar as pessoas. Há inspiração.

Há alguma coisa de boa que vem no cheiro trazido pelos ventos sobre os tumultos ao redor do mundo empodrecido e rico - dos 1% de um lado e, empobrecido dos demais 99% de outro - que só mesmo a arrogância desmedida da mídia tradicional é que ainda não percebeu que vai perdendo fiéis e passivos telespeconsumidores globobocas antes acostumados à doutrinação das telinhas, tablets, saites, teclados, jornais, revistas etc. Não estamos de mãos atadas dentro desse sistema que a tudo e a todos quer controlar, manipular.

Ao mesmo tempo, nunca se discutiu tanto sobre esse monopólio de quem pensa e faz o que bem entende para nos des-informar. Ainda que aquela pessoa em quem confiamos um cargo de presidenta não venha demonstrando como queríamos que a vontade e o direito do povo deve ser o bastante para a necessária democratização e regulação dos meios de comunicação no país, é relevante que as ruas vão se enchendo mais e mais de pessoas que saem do des-conforto de suas poltronas ante as imagens que surgem por outros cantos que não sejam censurados pelos próprios poderosos das mídias. Levante a vista.

Se o exemplo de punho forte e decisão sábia não vêm daquela que apanhou do regime autoritário - no corpo e no espírito – que venham, então, do levantar das mãos que desde o berço da democracia ora recebem a taça de cicuta, ora não têm mais que paus, pedras e teclas para se defender, que agora apertam o botãozinho “off” da parafernália eletrônica, o botão do “chega de tanto controle sobre nossas consciências”, das gentes que saem aos tumultos nas ruas para mudar o Velho Novo Mundo. Levante à vista!

A crescente revolta frente aos desmandos dos polititicos que adoram os holofotes sobre o umbigo torna cada vez mais inadiável uma quebradeira de paradigmas que ditavam as regrinhas do jogo econômico-político que rouba ao invés de distribuir, socializar, promover mais que a vida boa e o bem estar, mas o bem viver para as gentes que não atura mais as cartinhas escondidas nas mangas, ou tão somente ser peão que se espanca e se mata na linha de frente do tabuleiro da sociedade onde os maquiavélicos príncipes e nobres ficam se protegendo atrás do reizinho consumo, da rainha exploração, e dos neoglobobocalizados de sua corte capitalista.

Que desde o berço da democracia venha inspiração para levantes e muitas outras revoltas entre a plebe rude de punhos em riste, braços e abraços dados contra o decapitalismo sanguinário de cabeças, e mãos. Um hino de liberdade se dissemina pelo ar. Esperantes, expectantes e espectadores por um Outro possível, realizável e acontecível Mundo, uni-vos nessa canção! Abrem-se os ouvidos, apuram-se os sentidos a perceber a indignação que já vai raiando e se espalhando por todos os horizontes.

E, há que se levantar, também, inclusive das cadeiras a que nos prenderam e nos deixamos prender por tanto tempo, e se encher da mais pura e verdadeira coragem, de genuína liberdade, para fazer companhia aos gregos e troianos, aos árabes e egípcios, aos anônimos de Wall Street a Los Angeles, aos estudantes do Chile à Colômbia, de Venezuela à Cuba... para fazer companhia ao Pedro Rios, desatando o amor do peito e das fontes de solidariedade que nascem e se juntam em ondas e mares de gente revoltosa a viver pela dignidade que este menino exemplifica solitariamente em seu gesto de quem é 0,0000000001% do mundo, e é cem por cento de coragem.

Vamos nos desamarrar do comodismo daquele de quem fica se embobecendo em frente à tela TV, porque no meio desse povo, de muita covardia e omissão, lá está ele nos espiando, nos inspirando!

Vamos nos juntar a ele! Vamos nos libertar para viver com dignidade contigo! Que esse seu gesto seja o berço de nossa própria dignidade!

Gentes de todas as redes sociais, levantem-se!

Leo  Nogueira O Nawta






Milhares de gregos deram início, nesta sexta-feira (10), a um movimento de três dias de protesto contra os cortes drásticos no orçamento público, exigidos pelos credores do país. A insatisfação popular abriu espaço para a violência. Centenas de manifestantes entraram em choque com a polícia.

UOL Notícias 10.02.2012 - 18h03 - Por AFP


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"A greve de fome que a TV não mostra", por Ronald Sanson Stresse Junior, clicando aqui.


"Algemado junto à Globo, em greve de fome", por Ana Helena Tavares, clicando aqui.


Saiba mais sobre a desocupação do Pinheirinho na Wikipedia clicandoaqui.

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