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sábado, 29 de agosto de 2009

Organizações e movimentos rechaçam acordo militar entre EUA e Colômbia


Adital -
Mandatários integrantes da União das Nações Sul-americanas (Unasul) reúnem-se hoje (28), em Bariloche, Argentina, para debater o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos. Movimentos sociais e organizações populares da América Latina aproveitam a ocasião do encontro para rechaçar o acordo e demandar da Unasul a mesma postura.

O repúdio ao acordo não acontece somente entre organizações e entidades vizinhas ao país. Ontem (27), Colombianos e Colombianas pela Paz divulgaram um comunicado em que também rechaçam o tratado. Segundo o grupo, os tratados de cooperação entre Colômbia e Estados Unidos afetam a segurança não só da população colombiana, mas também de toda a região latino-americana.

De acordo com o comunicado, em abril deste ano, o Comando Aéreo para a Mobilidade da Força Aérea de Estados Unidos elaborou um relatório no qual afirmava que o território colombiano serviria para interesses militares estadunidenses como uma localidade de cooperação de segurança. "Precisava-se, ademais, que o objetivo não era unicamente a perseguição ao narcotráfico: ‘Incluir a América do Sul na estratégia de rota global alcança dois objetivos: ajuda a materializar nossa estratégia de compromisso na região e assegura a mobilidade na rota até a África", afirma o grupo.

No comunicado, Colombianos e Colombianas pela Paz ainda comentam que tal acordo afetará, também, os países vizinhos da Colômbia. "Ainda que se proclame que seu alcance não transcenderá determinadas fronteiras, como as da Colômbia, é indubitável que essas ações possam ultrapassar esses limites de forma incontrolada, lesionando a soberania territorial de outros países que não participam do Acordo de cooperação militar."

Por conta disso, o grupo considera importante que o tratado seja amplamente debatido e negociado não somente entre o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e o presidente estadunidense, Barack Obama, mas sim entre Unasul e Obama. Dessa forma, pedem aos mandatários da Unasul reunidos no encontro que reflitam sobre o assunto e busquem saídas pacíficas para superar a questão armada enfrentada pela Colômbia. "Clamamos por soluções que evitem um clima de tensão e armamentismo", pedem.

Declaração semelhante também foi enviada ontem pelo Jubileu Sul/Américas. A organização expressou, em comunicado, a preocupação com o avanço dos Estados Unidos no território latino-americano. Segundo o comunicado, as bases estadunidenses instaladas no território colombiano interferem nas questões militares e políticas não só da Colômbia, mas também de todos os outros países da região.

"Esta situação de reacomodamento estratégico dos Estados Unidos na América do Sul responde a novas políticas de garantia de seus interesses geopolíticos e econômico-financeiros e a modificações em seu mapa de monitoramento para a região ante a decisão do Governo equatoriano de não renovar a permanência da base militar de Malta em seu território e a persistente luta dos movimentos sociais por erradicar as dezenas de bases militares localizadas na América Latina e no Caribe.", contextualiza o comunicado.

Para a tarde de hoje, está prevista para acontecer, em Buenos Aires, uma mobilização contra o acordo. A marcha sairá da embaixada colombiana até a Plaza de Mayo, onde também pedirão uma postura mais incisiva da Unasul.

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