Mostrando postagens com marcador Conselho Nacional de Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conselho Nacional de Educação. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de novembro de 2010

Eu apoio o parecer 15/2010 do Conselho Nacional de Educação!


Professoras(es), gestoras(es), pesquisadoras(es) e vários setores da sociedade civil parabenizam a iniciativa do parecer 15/2010 que prima pela políticas de promoção da igualdade racial. Nós estamos de acordo com a recomendação do parecer. Enfatizamos que, numa sociedade democrática e em um ministério da educação que tem se colocado parceiro na luta por uma educação anti-racista, o aprimoramento da análise das obras do programa nacional biblioteca escola (PNBE) está em conformidade com os preceitos legais e constitucionais da nossa sociedade. Está condizente com a garantia da diversidade étnico-racial, o pluralismo cultural, a equidade de gêneros, o respeito as orientações sexuais e às pessoas com deficiência. Nosso entendimento é de que o parecer 15/2010 em nenhum momento faz menção à censura. Mas, tão somente, ponderações responsáveis e necessárias numa sociedade democrática. Na sociedade brasileira 50,6% da população é negra, o que está confirmado pelos dados do censo do IBGE. Portanto, a discussão do parecer não desconsidera a liberdade de expressão ou a licença poética, muito menos pode ser interpretada como um excesso de didatismo. Trata-se de uma recomendação necessária de contextualização dos autores e suas obras que circulam nas escolas, a qual já tem sido adotada pelas instituições escolares, porém, na maioria das vezes sem considerar o peso da questão racial na formação da nossa sociedade. Vale registrar que o problema não é a obra de monteiro lobato. A questão vai mais além. Entendemos que o que o CNE está propondo é o aprofundamento do estudo sistemático e cuidadoso das obras literárias que já conhecemos e a devida contextualização dos autores no tempo e no espaço, sem perder a dimensão da arte, da criatividade e da emoção que caminham juntos com a boa literatura. Portanto, concordamos que o CNE, quando consultado, é o órgão responsável por orientar educadores e sistemas de ensino sobre procedimentos indispensáveis para garantir uma escola democrática. O objetivo do parecer é aprimorar ainda mais o trabalho que já tem sido feito na escolha de obras literárias e demais materiais que circulam nas escolas, ou seja, primar pela ausência de preconceitos, estereótipos ou doutrinações. Recomenda-se que este princípio seja realmente seguido para análise de todas as obras do PNBE, quer sejam elas clássicas ou contemporâneas. Caso sejam clássicos e todos reconhecemos a importância do lugar da obra clássica, e estes venham apresentar estereótipos raciais , já discutidos pela produção teórica existente, que os mesmos sejam discutidos na forma de nota explicativa, ou seja, numa contextualização do autor e sua obra. Entendemos que, nesse caso, não há nenhuma censura à obra literária. Há o cuidado com os sujeitos e com a diversidade étnico-racial presente na escola brasileira. Contando com seu compromisso democrático como educador e cidadão, em favor da diversidade étnico-racial e pela importância do cargo que ocupa como ministro da educação do brasil, esperamos, sinceramente, que o senhor defenda o valor da literatura como bem inestimável da cultura humana e também defenda uma política educacional voltada para a promoção da igualdade racial, homologando o parecer do CNE. É papel do Estado cuidar da democracia , do direito à liberdade de expressão sem discriminação
 
 
APOIANDO O CNE E À PROFA NILMA - CONTRIBUA PARA O AVANÇO DO ENSINO E A IMPLANTAÇÃO DA LEI 10.693


Carta Aberta ao Exmo. Ministro da Educação do Brasil

Sr. Fernando Haddad

Rio de Janeiro, 5 de novembro de 2010.

Assunto: Parecer do Conselho Nacional de Educação sobre o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato


Professoras(es), gestoras(es), pesquisadoras(es) e vários setores da sociedade civil parabenizam a iniciativa do Parecer que prima pela ausência de preconceitos, estereótipos ou doutrinações com teor racista nas obras que sejam adotadas em programas como o Biblioteca  na Escola. Nós estamos de acordo com a recomendação de que todas as obras passem pela análise, favorecendo que todo material do Programa Nacional Biblioteca Escola (PNBE) esteja conforme a diversidade étnico-racial, o pluralismo cultural, a equidade de gêneros, o respeito às orientações sexuais e às pessoas com deficiência.

Nosso entendimento é que a relatoria não fez nenhuma menção à censura. Mas, tão somente, ponderações responsáveis e necessárias numa sociedade democrática. Principalmente numa sociedade composta por 50,6% de negras e negros. Portanto, não se trata de desconsiderar a liberdade de expressão ou a licença poética, muito menos um excesso. Porém, trata-se de uma indicação que permite problematizar os critérios que as obras do PNBE precisam preencher.

Vale registrar que o problema não é a obra de Monteiro Lobato, o livro em questão é um exemplo do que o CNE está propondo, a saber: uma análise sistemática e cuidadosa das obras do PNBE. Portanto, não é adequado permitir que o CNE/MEC não oriente, avalie e sugira para educadoras e educadores brasileiros alguns protocolos indispensáveis para garantir uma sociedade democrática que não fique presa aos estereótipos e discursos discriminatórios.

A revisão do Parecer é importante para que um amplo debate seja realizado e a intensificação do entendimento desfaça eventuais incompreensões sobre os reais objetivos do Parecer, o que, sem dúvida, vai fortalecer os argumentos em favor da homologação.


Contando com seu compromisso democrático como educador e cidadão, em favor da diversidade étnico-racial e pela importância do cargo que ocupa como Ministro da Educação do Brasil, esperamos, sinceramente, que o senhor defenda o valor da literatura como bem inestimável da cultura humana, em favor dos direitos universais da pessoa humana, homologando o parecer do CNE.

Atenciosamente,


Alzira Rufino-Presidenta da Casa de Cultura da Mulher Negra

Profa.Urivani Rodrigues de Carvalho-Diretora de Arte da Revista Eparrei