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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Veículo leve sobre trilhos ou metrô para centro administrativo

Terça-feira 20 de outubro de 2009 06:31

Veículo leve sobre trilhos ou metrô para centro administrativo

Ernesto Braga - Estado de Minas
O novo sistema de transporte será implantado para não haver gargalos no trânsito depois que a sede do governo for inaugurada

A Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), pensando no impacto que a transferência da sede do governo – 18 secretarias e 26 órgãos estaduais – para a Cidade Administrativa, no Bairro Serra Verde, na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte, causará no transporte coletivo, estuda opções para absorver o aumento da demanda. A estimativa é de que cerca de 20 mil pessoas, sendo 16 mil servidores, passem diarimente pelo empreendimento projetado por Oscar Niemeyer às margens da MG-010, parte da Linha Verde. A mudança está prevista para começar em janeiro. Segundo especialistas, a Setop analisa a viabilidade da criação de um ramal de veículo leve sobre trilhos (VLT) entre a Estação Vilarinho, do metrô, e o complexo de prédios do estado.

A diferença entre o VLT e o metrô é que o primeiro é todo em superfície, não precisa de rede elétrica para se locomover, pois é movido a biodiesel, e tem tecnologia 100% nacional. Cada quilômetro custa R$ 33 milhões, enquanto são gastos R$ 99 milhões em igual trecho de metrô. A análise que está sendo feita pela Setop foi confirmada por um técnico da autarquia, que pediu anonimato. Consultor em transporte e trânsito, o engenheiro Silvestre Andrade também confirma o interesse da secretaria. “Isso está sendo cogitado ainda no campo dos estudos. Não sei qual seria o traçado do VLT, mas é natural que passe perto da MG-010. As análises vão apontar o trajeto, custos, a necessidade de intervenções e desapropriações”, afirmou.

Paulo Tarso Resende, especialista em transporte e trânsito da Fundação Dom Cabral, ressalta que a criação de um ramal de VLT no Vetor Norte da capital é um sonho antigo. “Essa ideia existe há muito tempo, inclusive passando pela Avenida Cristiano Machado”, disse. Segundo o assessor de Mobilidade Urbana da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, João Ernani Antunes Costa, o estado analisa outras opções de transporte que atendam a Cidade Administrativa. “Poderá ser o VLT ou mesmo o prolongamento do metrô, a partir da Estação Vilarinho. Estudos da demanda e dos custos é que vão definir o tipo.” A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou que não foi procurada pela Setop.

Silvestre Andrade destaca que outra opção poderá ser o transporte rápido por ônibus (TRO). “São veículos articulados, até biarticulados, que circulam por sítio próprio, e não em tráfego misto. As pessoas não pagam a passagem dentro do ônibus, mas em estações que ficam no mesmo nível das plataformas de embarque”, explicou. “O certo é que o reforço do transporte coletivo para a Cidade Administrativa vai começar com ônibus articulados, que serão a solução inicial. O que se está buscando com o VLT ou outras alternativas é o aumento na qualidade do serviço”, disse.

ÔNIBUS DE GRAÇA De acordo com a Setop, a criação de alternativas de transporte para a nova sede do governo é tratada pelo subsecretário de Estado de Assuntos Internacionais, Luiz Antônio Athayde, que coordena a Unidade PPP, mas não comenta o VLT. “Não é um assunto sobre o qual posso opinar, pois é processado na Setop”, rebateu o subsecretário. O governo do estado, por meio da Superintendência de Comunicação, não confirma a criação do ramal de veículo leve sobre trilhos e informou que a única discussão no Comitê da Cidade Administrativa, relativa ao transporte coletivo, se refere à criação de uma linha de ônibus articulado, partindo da Estação Vilarinho, que gastará sete minutos até o complexo. A passagem, segundo a superintendência, será gratuita para passageiros do metrô.

Segundo a BHTrans, a partir de janeiro haverá quatro linhas troncais partindo da área central de BH em direção à Cidade Administrativa, passando pelas avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Pedro II/Carlos Luz e Anel Rodoviário. Também haverá linhas entre as estações Vilarinho, São Gabriel (metrô/BHBus) e Venda Nova (BHBus). Um serviço executivo de ônibus partirá da Savassi, mas o preço da passagem ainda não foi definido.


Do Belvedere ao Barreiro
Projeto em discussão na agência de desenvolvimento metropolitano prevê a implantação de 22 quilômetros de trilhos, beneficiando moradores de Belo Horizonte, Nova Lima e Ibirité
Pedro Rocha Franco - Estado de Minas
Linha férrea que atravessa a divisa de BH e Nova Lima poderia ser usada para a criação de novas alternativas de transporte na região metropolitana

O alto custo para viabilizar a construção de linhas do metrô e o desinteresse do governo federal em investir no transporte público na Grande BH obrigam os atores de trânsito em Minas a propor alternativas para agilizar a circulação de passageiros. Novos ramais intercalando diversos modais, como Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) e corredores de ônibus, são a opção para reduzir a circulação de veículos do Centro da capital. Em discussão na Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana, a implantação de 22 quilômetros de VLT no trecho Belvedere (BH Shopping), na Região Centro-Sul, até o Barreiro (Via Shopping).

Os usuários do transporte sairiam da Estação BHBus do metrô, no Barreiro, e a parada final prevista é na BR-356, mas, antes disso, eles teriam a opção de descer em uma das 19 estações intermediárias. Nas duas pontas, uma alternativa é deixar o carro num estacionamento e buscá-lo no fim da tarde ao voltar do trabalho. Segundo o assessor de mobilidade da Agência Metropolitana, João Ernani Antunes Costa, o transporte rápido beneficia moradores de Nova Lima, Ibirité e três regiões de BH – Oeste, Centro-Sul e Barreiro. “Trata-se de ótima solução para desafogar o trânsito. A linha perimetral corta o caminho por dentro dos bairros”, afirma.

O ramal deve aproveitar os trilhos usados pela empresa MRS Logística. Atualmente, o trecho entre os bairros Olhos d’Água e Águas Claras está desativado e o restante da via é usada para transporte de carga, mas tem horários bastante ociosos. Sem contar os tempos de paradas, na velocidade máxima estimada (70km/h) é possível atravessar do ponto inicial até o final em 19 minutos. “É um alívio no tráfego das principais vias internas, como a Avenida Nossa Senhora do Carmo”, explica o assessor. O projeto deve ser apresentado para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), órgão ligado ao Ministério dos Transportes, para viabilização de recursos.

A linha também pode fazer conexão com o traçado de VLT em estudo pelas prefeituras de Contagem e Betim. Um dos ramais liga o Bairro Bernardo Monteiro, em Contagem, até o Barreiro. Ou seja, na Estação BHBus Barreiro o passageiro teria opção de seguir para o Belvedere, Betim ou a Região Central da capital num transporte rápido.

TRANSPORTE SEGREGADO Ao todo, a Região Metropolitana de Belo Horizonte tem 330 quilômetros de malha ferroviária, mas os trilhos são usados somente para o transporte de mercadorias. O objetivo é usar o mesmo espaço para compartilhar o modal de carga e passageiros, aproveitando períodos de fluxo reduzido. Outra possibilidade é oferecer o veículo sobre trilhos de Santa Luzia até o Horto, investindo no modelo segregado, sem precisar evitar obstáculos, como semáforos, trânsito e travessias de pedestres.