Mostrando postagens com marcador um exemplo de comunicação comunitária que deu certo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador um exemplo de comunicação comunitária que deu certo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Rádio Cantareira, um exemplo de comunicação comunitária que deu certo

Fonte: NPC

Por NPC

Rádio Cantareira, um exemplo de comunicação comunitária que deu certo

Há 15 anos, moradores do bairro de Vista Alegre, São Paulo, têm a

alegria de acompanhar de pertinho a mais antiga rádio do local, a
“Cantareira”, que faz parte da Associação Cantareira. O padre Cilto
José, um dos idealizadores da rádio, foi palestrante do 16° Curso
Anual do NPC. Nessa entrevista ele fala sobre o funcionamento deste
meio comunitário, o tempo em que ficou parado por causa da falta de
licença para funcionar, a dedicação e carinho que a população tem pela
emissora, dentre outras coisas. Acompanhe:

Por Gizele Martins

Quando e como a “Rádio Cantareira” começou?
Iniciamos em 1995, em Vista Alegre, São Paulo. Lá é um bairro muito
semelhante aos morros e favelas aqui do Rio, é formado por uma
população pobre, eu moro próximo de lá. Sempre pensamos em alguma
forma de se comunicar com aquela população. Daí, discutimos a
possibilidade de fazer uma rádio comunitária. Perguntamos aos
moradores de lá se eles queriam. No primeiro momento, eles achavam que
a ideia de ter uma rádio era algo distante de ser realidade. Fizemos
um grupo e pesquisamos outras emissoras para ter algum tipo de
exemplo, fizemos um mutirão e resolvemos iniciar a rádio. E ela nasceu
no dia 8 de dezembro de 95.

Quantas pessoas estão envolvidas no trabalho da rádio?

Há aproximadamente quarenta pessoas envolvidas neste trabalho, e são
todos voluntários. A programação é diária, a FM vai das 6h às 23h, e a
web é o dia inteiro. A “Cantareira” é uma organização que aglomera
diversos outros projetos.

Fale um pouco sobre a programação, como ela é feita e por quem ela é feita?

Nos primeiros programas tínhamos muito medo do que falar, do que
fazer. Os programas sempre foram feitos por equipes. A nossa bandeira
de luta dentro daquela rádio comunitária é sempre pela busca do
direito à democratização da comunicação.

E o conteúdo, quais os cuidados que se deve tomar num meio comunitário?

Há uma preocupação com a linguagem. Num meio de comunicação
comunitário ou em qualquer outro não pode existir homofobia, racismo,
dentre outros preconceitos. Mas a comunicação comunitária é diferente
dos outros meios de comunicação, tratamos sempre os assuntos com outro
olhar, com outra abordagem, é mais humano. E, por isso, é diferente, e
temos que fazer sempre o diferente.

Como é a participação da população local na rádio, vocês têm ideia do

alcance, quantas pessoas ouvem a rádio?
Durante o tempo em que a rádio ficou fechada sentimos a tristeza da
comunidade. Com a rádio,o povo pode dizer o que quer, a rádio é deles,
podem divulgar os seus eventos. É só ligar, ir lá, participar,
dialogar, entreter. Certa vez, uma senhora, por exemplo, ligou, fez
uma reportagem, disse que tinha um problema e a gente ligou para a
subprefeitura. Mas não foi a rádio que resolveu o problema, foi o povo
que utilizou a rádio para resolver os seus problemas. São alcançadas
mais de 200 mil pessoas, agora em relação à web não sabemos a
quantidade. São muitas ligações, em uma hora, por exemplo, temos pelo
menos uma média de 12 pessoas ligando, participando.

Por que a rádio ficou fechada durante cinco anos?

Ficamos quase cinco anos com a rádio fechada porque não tínhamos
licença para funcionar. Ela foi perseguida durante todo esse tempo.
Mas lutamos pela regulamentação dela, e conseguimos no ano passado a
outorga.

Fale também sobre as diferenças em termos de técnicas que as rádios e

todos os outros meios de comunicação sofreram nestes últimos anos:
A rádio mudou, antes tocávamos músicas em LP. Era bem mais fácil. Não
é por acaso que dentro deste mesmo espaço da Associação Cantareira são
realizados outros cursos: de locução, de gravação, de redação, dentre
outros módulos. Mas a rádio, e os outros meios de comunicação estão
com certeza muito modernos.
Para quem quiser conhecer mais sobre esta experiência comunitária:
www.cantareira.org